martes, 9 de mayo de 2017

SABE QUEM É ANALICE SILVA, A MATRIARCA DO CORREDORES?


Como será que alguém pode ser capaz destas proezas? Como é que alguém é capaz de tocar tanta e tanta gente e motivar pequenos e graúdos a correrem e a praticar desporto?

Sendo esta área dedicada a aprender mais sobre temas como o coaching, programação neurolinguística e o desenvolvimento pessoal em geral, tenho procurado mostrar, também, alguns exemplos de "caras" bem reais que dão corpo a alguns dos princípios que são a base destas áreas do comportamento humano. Algumas dessas "caras" são figuras públicas e conhecidas do público em geral (muitas delas devido ao seu sucesso público desportivo), outras porque são uma prova, acima de tudo, do sucesso interior e da paixão por uma causa.

Nesta edição, gostaria de falar sobre alguém que pode ser desconhecido para a grande maioria dos leitores desta nossa revista e, com certeza conhecida, de um grupo muito restrito de pessoas que praticam trail e ultra trail. Falo de Analice Silva, pessoa que nunca conheci, e que me habituei a conhecer por relatos dos inúmeros aventureiros das lides das corridas de longa distância entre vales, rios, montanhas, desertos e tudo o mais que a natureza lhes possa apresentar.

Analice Silva nasceu em 1943, tinha 73, e correu a sua última corrida em dezembro do ano passado. Ultramaratonista de exceção e muito popular no "pelotão" foi abandonada em criança, escravizada e vítima de violência doméstica.

Após viver mais uma tragédia na sua vida (o seu bebé nasceu morto após sete meses de gravidez) foi no último dia de 1980 que decidiu começar a desintoxicar os seus pulmões dos cigarros que fumava (tinha lido num jornal que os pulmões de um fumador precisam de dez anos para recuperar a saúde e achou que "dez anos é muito tempo”) E comecei logo nessa noite a aventura das corridas." 

A corrida tornou-se um vício. Começou a fazer provas e sempre acreditou que tudo teve o seu tempo, tudo teve o seu timing.

Pouco tempo depois fazia a primeira maratona e a primeira prova de 100 quilómetros em montanha. Para além de ter vencido, estabeleceu um novo recorde sul-americano com o tempo de 11h42. Nos três anos seguintes subiu sempre ao lugar mais alto do pódio dessa corrida.

Correu inúmeras maratonas e meias-maratonas, fez dezenas de provas de 100 quilómetros, na estrada e montanha. Com mais de 60 anos de idade, percorreu por três vezes Os Caminhos do Tejo, de 146 quilómetros; fez provas de 167 quilómetros em Espanha; ou entre Lisboa e Mação, num total de 254. A maior prova que fez foi a Volta ao Minho, com 385 quilómetros. (ver em nit.pt)

Mas tinha um sonho maior: correr a Maratona das Areias, Marathon des Sables, em Marrocos, uma prova que em média tem entre 230 e 250 quilómetros, o equivalente a 6 maratonas regulares, considerada a corrida de aventura fisicamente mais exigente do planeta. Em 2013, apadrinhada pelo ultramaratonista Carlos Sá fez mesmo a prova.

"Tenho muita pena de nunca ter contado os quilómetros que já fiz na vida. De certeza que estava no Guiness." Em 2014 correu 1500 km, em 2015 correu 1800 km… só em provas!
Os seus treinos eram as provas, costumava dizer. No início da carreira era competitiva, ia para todas as provas para ficar sempre nos 5 primeiros lugares.

À medida que o tempo foi passando a paixão de "apenas correr" já lhe punha o sorriso inigualável que todos aprenderam a reconhecer ao longo dos trilhos e que tanto incentivava os menos experientes.

À pergunta "até quando vai correr" respondia inicialmente, "Quando fizer 50 eu paro." resposta que depois passou para "Quando fizer 60 eu paro." até deixar de responder, porque não encontrava nenhuma razão para parar… aliás, só encontrava razões para continuar, continuar e continuar!
Com uma imagem doce, delicada e franzina, Analice era tudo que a essência humana pode ser! Tudo aquilo que quer ser! De uma humildade surreal, quase sempre só os outros viam a sua enorme grandeza humana e incríveis capacidades físicas. "Os meus 200 quilometrozinhos de areia" dizia Analice, face às suas inúmeras distâncias tantas vezes percorridas.

A última prova em que Analice Silva participou foi a São Silvestre de Almada, a 17 de dezembro de 2016. Para quem não a conheceu, fazendo uma pesquisa poderá constatar os vários tributos que foram feitos em sua homenagem, após a sua morte em fevereiro deste ano!

Vale a pena ver reportagens que estão online e ver a simplicidade de uma mulher que se atrevia a sonhar e que achava de um egoísmo atroz "tomar o lugar de outros quando eu já consegui um sonho".

Para mim, sinto-me um privilegiado por não ter conhecido pessoalmente Analice e ao mesmo tempo ter conhecido as suas façanhas e, acima de tudo, o impacto ternurento que provocou em milhares de corredores e amigos por esses longos caminhos fora! Esta aparente contradição da minha parte ("privilegiado por não ter conhecido pessoalmente Analice") faz-me ter bem presente que a essência humana é feita por pequenos gestos, por pequenas humanidades muitas vezes não visíveis e não reconhecidas do grande público e que fazem parte da matéria que cada um de nós é feito! A capacidade de deixar nos outros uma emoção positiva por se terem cruzado connosco! E era disso que Analice era feita! Pessoa desconhecida para mim! E acredito que é disso que todos nós somos feitos… tantos e tantos que são também para mim desconhecidos!

Como será que alguém pode ser capaz destas proezas? Como é que alguém é capaz de tocar tanta e tanta gente e motivar pequenos e graúdos a correrem e a praticar desporto? Como é que alguém pode ter em si uma energia tão grande que irradia para os que estão à sua volta?
Reconheço a resposta a estas perguntas numa expressão que era muito dela...
"Eu sou feliz no que faço!" dizia Analice…. "Até mais ver."

Nota: pelo facto de não ter conhecido Analice Silva recorri a conteúdos disponíveis na Internet. Deixo aqui algumas fontes que reproduzi ao longo deste artigo: Nit.pt; TSF Runners; Facebook Analice Silva; Porto Canal

Nuno Silva
Managing Partner DBS
Certicado em Coaching e Master em PNL

ARTES MARCIAIS E FITNESS UM MERCADO EM CRESCIMENTO.



Não teria como começar este artigo sem uma pequena definição sobre o que são Artes Marciais.
Artes Marciais são disciplinas físicas e mentais codificadas em diferentes graus, que tem como objetivo um alto desenvolvimento dos seus praticantes para que possam defender-se ou submeter o adversário mediante diversas técnicas. São sistemas para o treino de combate, geralmente sem o uso de armas de fogo ou de outros dispositivos modernos. Atualmente, as Artes Marciais, para além de praticadas enquanto treino militar, policial e de defesa pessoal, são também praticadas como Desporto de Combate. Existem diversos estilos, sistemas e escolas de Artes Marciais. O que diferencia as Artes Marciais, da mera violência física (briga de rua) é a organização das suas técnicas num sistema coerente de combate, desenvolvimento físico, mental e espiritual. Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
No Brasil e nos EUA, o Mercado das Artes Marciais é uma grande realidade e abre portas para vários profissionais da área do Desporto, não necessariamente especialistas em lutas, mas muito na parte da preparação-física e todas as valências que envolvem o treino.
Em Portugal, finalmente, começa a ser uma realidade. Cada vez mais assistimos à criação de novos ginásios com grande foco e divulgação destas vertentes e uma grande adaptação dos próprios ginásios já existentes, com a implementação de várias modalidades de lutas, sejam elas na vertente pura ou nas adaptadas.
Um dos pontos fortes desta aposta é que o público em geral, formado por pessoas comuns, e que por muitas vezes não frequentam as Artes Marciais por desconhecimento, falta de oferta ou mesmo por medo, por considerarem que este tipo de desporto é somente para atletas de alta competição. Todavia, através de profissionais qualificados, vão poder usufruir de aulas adaptadas de Fitness e Artes Marciais, sem ter a preocupação do confronto físico com outros alunos e, deste modo, beneficiar de novas formas de treino, principalmente de grande desafio a nível físico, motivacionais, de auto-estima e confiança.
Do ponto de vista de quem procura e tem como objetivo principal a competição, com a criação destes novos espaços focados nas Artes Marciais, passam a ter ginásios especializados, de qualidade e que oferecem imensas vantagens para os seus alunos, desde a qualidade do material, profissionais qualificados a instalações adequadas com infraestruturas que permitem a evolução e crescimento dentro da modalidade escolhida.
Acredito seriamente que é uma aposta ganha. Poderá levar um pouco de tempo até as pessoas perceberem que neste novo conceito podem treinar e alcançar os seus objetivos de uma forma muito mais desafiadora e motivante, fazendo que dentro da individualidade de cada um posso ter enorme progresso a todos os níveis.
Como contrapartida, para os donos de ginásios que estiverem dispostos a esperar a consolidação no mercado deste novo modelo, vão ter com certeza uma excelente resposta a nível de retenção e fidelização dos seus alunos, pois o compromisso dos alunos de Artes Marciais é muito maior comparativamente a outras modalidades.
Porém, para que realmente seja concretizada a implantação desta nova metodologia, a qualificação dos profissionais é de suma importância. Não adianta investir somente em equipamentos, como sacos de boxes, tatamis, luvas, plastrons, cordas e várias outras ferramentas, sem ter uma equipa que possa no dia-a- dia orientar e fazer com que os alunos adquiram confiança e principalmente alcancem os seus objetivos.
Tenho plena convicção que 2017 vai ser um ano de grande mudança e de crescimento muito significativo para quem apostar e focar nessa nova forma de oferecer Saúde e Bem- Estar, a todos aqueles que procuram novos desafios através das Artes Marciais.
Cabe a todos os profissionais ligados à área, desmistificar qualquer pensamento errado em relação a uma modalidade que tem por princípios o respeito e disciplina entre os seus praticantes e professores.
Deixo aqui o desafio a todos os leitores para procurarem um ginásio com este novo foco e fazer uma aula experimental, seja de aulas adaptadas às lutas ou mesmo uma luta específica. Garanto que independente da modalidade que escolher vai perceber muita diferença tanto a nível físico quanto a nível psicológico.
As Artes Marciais são recomendadas a todos os géneros e idades, desde as crianças até os mais velhos. As vantagens são inúmeras para todos os que as praticam; agora é hora de procurar um ginásio credenciado, com profissionais de alto nível, escolher uma modalidade e o principal: definir um objectivo e foco para realmente lutar por ele.
Pois tudo é possível e depende principalmente do quanto queremos e nos esforçamos para alcançar os nossos Sonhos.
Vamos a isso.

António Nascimento de Oliveira Filho

·         Diretor Técnico Jazzy Fight Club
·         Faixa Preta de Judo e Jiu Jitsu
·         Licenciado em Educação Física
·         Pós Graduado em Docência para o Ensino Superior
·         Com mais de 4.000 horas em cursos voltados ao
       Treinamento Desportivo

·         Primeiro Atleta a representar Portugal numa prova de Ultraman, País de
     Gales 2012 e em 2 Finais do Mundo de Ultraman no Hawaii a representar Portugal

PT @ PRIMUM NON NOCERE



O exercício físico tem sido considerado como um dos meios mais eficazes na promoção de saúde e bem estar das populações numa ampla conceçãoo. Mais do que ter anos de vida, a importância de ter vida nos anos é inegável. O “anti-aging” e a qualidade da longevidade são cada vez mais valorizados. O exercício devidamente personalizado, tem sido um modo fundamental de prevenção e consequente promotor da qualidade de vida, tendo um papel terapêutico e coadjuvante no tratamento de diversas patologias.
Atualmente assistimos ao início da criação de sinergias e “pontes” entre a medicina e o Personal Trainer (PT). Tem sido uma parceria muito interessante e com enorme potencial pela frente. Para garantir resultados de sucesso com qualidade, o processo formativo do técnico de exercício físico deverá alicerçar-se numa consciência de não-maleficência. Elevar esta “cons-ciência" mostra-se uma crescente e séria necessidade, visando otimizar a performance da motricidade dos respetivos clientes. A arte de especificar e respeitar o princípio da individualidade é fundamental para ajudar realmente a saúde das pessoas. O treino personalizado deverá ser, portanto, um processo sustentável, com "a dose certa e o princípio ativo apropriado”. Acima de tudo, saúde! 
Neste sentido surge a abordagem com o Primum non nocere, (do latim) significa "primeiro, não prejudicar" e remete-nos para o século III a.C. ao famoso fragmento do juramento bioético do pai da medicina - Hipócrates. Analogamente, deverá ser um conceito estruturante no contexto profissional do PT e que implica um profundo respeito pelos complexos sistemas biológicos do corpo humano.
Operacionalizar tal complexidade pressupõe a integração de várias áreas de conhecimento científico que passam por dominar as regras do corpo. O personal trainer tem na sua essência conhecer a individualidade física dos respetivos clientes. É imperativo motivar a qualificação da profissão no sentido de alcançar hiperespecialização e “expertise”; fomentar a paixão por estudar, pesquisar, observar, descobrir a nossa multidimensionalidade e sua teia de inter-relações, e humildemente aceitar os limites do nosso conhecimento. O longo caminho da mestria tem como base as áreas de biomecânica, física, anatomia e fisiologia neural, articular e muscular. O PT deverá reunir condições para um exercício físico responsável pela otimização da condição física, atenuação de sintomas, aceleração da recuperação e favorecimento da performance e qualidade de vida - atletas ou pacientes. 
Tudo isto é altamente inter-individual, carece de permanente avaliação e processamento das respostas aos diversos estímulos. Cada caso é um caso a avaliar, respeitar e especificar o modo de exercício. Devemos questionar seriamente e sempre o seu resultado: excessivo? insuficiente? ou adaptativo? Só inferindo disponibilidade, controlo e tolerância enquanto sistema neuro-músculo-articular é que teremos a oportunidade de obter um solução  adequada.
Para tal, temos que verificar várias vezes a disponibilidade articular do cliente, avaliar a sua capacidade contrátil (grau a grau), conhecer e respeitar essas funcionalidades e diminuir significativamente a magnitude da resistência quando pedimos manifestação de força em posições próximas dos extremos. Trata-se de saber elevar o potencial funcional e estrutural do cliente, com um estratégico processo mental, condicionante crítica para as adaptações pretendidas no corpo humano.
De forma a nos distanciarmos de um fitness iatrogénico (conceito explorado por Samuel Corredoura, na revista Gym Factory nº 12), devemos identificar, durante toda e cada sessão, a qualidade das amplitudes do movimento voluntário do aluno. Por iatrogenia entende-se "lesão, processo patológico ou alteração orgânica que é provocado pelos médicos ou pelas suas atuações e tratamentos" (in Dicionário infopédia de Termos Médicos, 2016).
Na outra “face da moeda”, temos o desporto e outras modalidades, com regras e objetivos externos que não contemplam uma especificidade individual e, consequentemente, não resultam em melhoria do desempenho da nossa motricidade. Para o desporto, a saúde não é condição necessária e, por outro lado, o verdadeiro exercício físico visa melhorar a saúde à la longue.
A atual conjuntura dos ginásios sugere uma reflexão sobre a relação entre objetivos, necessidades e expectativas dos clientes. Qual o custo fisiológico de atingir os seus objetivos com as capacidades presentes? Como se articulam as suas necessidades com as soluções propostas pelo PT? Apesar dos estatutos de profissão não permitirem sacrificar o corpo pelo resultado, o sector apresenta-se muito invasivo, com falta de soluções para a saúde motora, mostrando uma enorme inércia para mudar de visão e evoluir para um novo mindset: menos lesões e melhor desempenho, onde idealmente deveríamos sacrificar o resultado pelo corpo e relativizar ao máximo o exercício à pessoa, e não o inverso. Na saúde não há competição!
Maioritariamente, a presente tipologia de intervenção, contempla uma oferta de exercícios com relação desajustada de forças internas vs forças externas (resistências), tornando-os assim potencialmente lesivos e reduzindo drasticamente o seu real potencial adaptativo. Estes são criados para todos, ajustados para poucos e consideravelmente arbitrários (prescritos e coreografados), pressupondo de forma inespecífica uma média de capacidades e necessidades. Desejo poder recomendar atividades desportivas/recreativas, aulas, treinos e momentos de lazer a todos os meus alunos, mas para tal, há que garantir uma série de condições para o corpo as tolerar. Se assim não for, as disfunções aparecem sempre.
Nesta realidade devemos aprofundar seriamente estas questões, oferecer soluções muito além de superação, “no pain no gain, one size fits all, just do it, more is better”, e permitir a criação de soluções para além da atual oferta do fitness. São evidentes as necessidades de uma nova era de exercício físico baseado numa prática mais consciente. O sector carece de ciência e reflexão, enfrentando assim uma merecida caminhada evolutiva. Esta evolução dependerá do comprometimento dos profissionais da área e não de tendências de mercado (moda), marcas, crenças e constantes inovações. Isto implica um enorme respeito pelos clientes e uma vontade intrínseca de ajudar! Enquanto técnicos de exercício físico, o nosso papel deverá centrar-se sempre como agente de saúde e bem-estar, garantindo sustentabilidade dos resultados e não o desempenho num curto prazo. A credibilidade do sector depende desta seriedade comportamental. O PT que genuinamente se importa com a saúde dos seus clientes, trabalha motivado por aprender mais e, inevitavelmente, depara-se com a necessidade de migrar a sua visão para uma intervenção focada no desempenho funcional interno desse cliente em particular. 

“A verdadeira viagem de descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas sim em ter novos olhos.” - The Prisoner, vol. 5, Marcel Proust (1923).

O desafio é sair das nossas disciplinas de estudo, integrar e dialogar com outras áreas de conhecimento. O exercício físico do futuro passará por uma nova contextualização deontológica e redefinição de prioridades, tendo como principal foco as melhorias reais da saúde. 


Advertência

O presente artigo está protegido ao abrigo do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos. A utilização não autorizada – além do uso como breve citação em artigos e críticas – pode configurar a prática de um crime de usurpação ou contrafação (arts. 195º e 196º do CDADC) para além de incorrer em irresponsabilidade civil conducente a um pedido de indemnização.


Rui Fortuna

Formador EXS LAB – Exercise School
Personal Trainer Virgin Active Oeiras

Certificado EXS – Professional
Certificado EXS – Performance
Pós-graduação Personal Trainer - Universidade Lusófona Humanidade e Tecnologias
Resistance Institute – ERA Introduction
Certificado MANZ – IFE cardiofitness e musculação
Universidade Católica Portuguesa – Gestão

BARRAS PROTEICAS



Os apelos nutricionais, funcionais e mercadológicos para fins especiais e a necessidade de combinar saúde e praticidade conferem popularidade no consumo de BARRAS PROTEICAS, frequentemente utilizadas sem uma compreensão e avaliação completa do seu uso. 

O aumento do consumo de suplementos proteicos é notável entre os praticantes de atividade física e atletas que procuram resultados rápidos e satisfatórios no aumento da performance, desde o emagrecimento, à hipertrofia muscular e à mitigação da perda de massa muscular em défice energético ou simplesmente, na recuperação e adaptação ao exercício.

Dentro deste contexto, as Barras Proteicas, de forma geral, estão incluídas nesta categoria de produtos. 


O QUE SÃO
Desde novas composições nutricionais, características físico-químicas especiais, altos valores proteicos, valores calóricos (diet e light), baixos valores lipídicos, baixos índices glicémicos e diferentes tipos de sabores e apelos comerciais do tipo “ingredientes naturais”, “saudáveis”, “funcionais”, entre outros, para se enquadrar na categoria proteica e não convencionais ou energéticas, as barras devem apresentar um valor mínimo de 65% de proteínas de alta qualidade, ou para outras classificações, devem apresentar no mínimo 10% a 20% da Ingestão Diária de Referência (DRI) por 100g em produtos sólidos. Barras proteicas com teores diferentes (25-40%) podem ser encontradas, pois não existe um padrão, e são por vezes classificadas como substitutas de refeição.
Além de proteicas, também podem ser formuladas com outros nutrientes: minerais (cálcio, sódio, selénio, zinco, magnésio, crómio), vitaminas (A, D, E), hidratos de carbono (10% a 25%), açúcares (50% a 99% do total de hidratos de carbono), fibras, lípidos (10% a 15%), ácidos gordos monoinsaturados e polinsaturados, aminoácidos em especial os BCAAs (leucina, isoleucina, valina) – taurina e glutamina, bem como com cafeína e outros aditivos controversos.
Podem oferecer ainda ingredientes, nomeadamente as frutas desidratadas e secas (banana, maçã, manga e uva), as sementes (girassol, gergelim, linhaça e chia) e os cereais integrais (quinoa, amaranto, aveia, milho e arroz). Outras contêm oleaginosas, como nozes, avelã, castanha de caju, castanha do Brasil entre outros.
As fontes proteicas mais usadas são as proteínas do leite e os seus derivados (proteínas do soro ou whey protein e caseínas), os ovos, a carne e os grãos, como a soja, trigo, arroz e milho.
Existem discordâncias em relação à superioridade dos efeitos das diferentes fontes de proteína sobre a síntese proteica muscular, no entanto, o objetivo de conter vários tipos de proteínas num mesmo produto deve-se à velocidade (rápida, intermediária ou lenta) e à forma de digestão e absorção de cada uma delas. 

Entre as principais proteínas utilizadas nas barras proteicas destacam-se o soro de leite (whey protein) que induz um aumento rápido, elevado e transitório de aminoácidos plasmáticos, e por ser rico em BCAAs, principalmente a leucina, estimula a síntese proteica muscular. Uma maior produção de glutationa celular, composto imunopotenciador e antioxidante ameniza a fadiga muscular.

A soja, fonte rica de nitrogénio e com uma digestão com velocidade intermediária favorece a manutenção da aminoacidemia sanguínea e os antioxidantes, como isoflavonas e saponinas, atuam contra o stress oxidativo resultante do exercício e contribuem para a diminuição de lesões musculares e fadiga.

E a caseína, ao contrário do soro do leite, coagula no ambiente ácido estomacal, o que retarda o seu esvaziamento gástrico e induz um aumento pós-prandial lento de aminoácidos plasmáticos. A caseína possui um bom perfil de aminoácidos essenciais, porém a quantidade de leucina presente nesta fracção proteica parece ser o suficiente apenas para suprimir a degradação proteica muscular por também reduzir a acção de hormonas catabólicas, como o cortisol.


PARA QUEM SERVEM
Indivíduos saudáveis ativos que se dedicam ao treino intenso de força/explosão e/ou resistência com pesos, podem beneficiar da ingestão de proteínas, para obter diferentes objetivos, de forma a alcançar os valores de referências nutricionais para um objetivo definido: sedentários (0.8 a 1.2 g/kg/dia), atletas de resistência (1.2 a 1.4 g/kg/dia) e atletas de força / velocidade (1.4 a 1.8 g/kg/dia).


COMO USAR
É importante ter o estímulo de síntese proteica durante todo o dia em quantidades equivalentes em todas as refeições (20g), e não apenas num determinado momento como no pós-exercício, por isso, uma mistura de proteínas com características distintas, nos momentos anteriores ao descanso nocturno e em longos períodos de jejum viabiliza um período de maior anabolismo e menor degradação proteica. Adotar esta estratégia e evitar comer grandes quantidades de proteína apenas nas principais refeições, poderão trazer benefícios em especial para uma ingestão proteica calculada para 0.8-2g/kg/dia. 

ASSIM…
Para se proporcionar resultados satisfatórios, a conduta nutricional deve ser individualizada, levando em consideração as necessidades energéticas e proteicas de cada individuo, pois são influenciadas pelo tipo, frequência, intensidade e duração do exercício. Além disso, o seu consumo deve ser realizado com orientação de profissionais especializados, evitando assim excessos que podem prejudicar o desempenho e a saúde.

A obrigatoriedade da declaração nutricional desde 13 Dezembro de 2016, com um rótulo mais exacto, perceptível e fiável vai garantir a veracidade da informação para uma fiscalização mais efectiva.

Contudo, “Suplementos Nutricionais nunca substituirão a predisposição genética, anos de treino e a óptima nutrição” (ACSM, 2009).


Fontes Bibliográficas
International School of Sports Nutrition and Human Performance; American Journal of Clinical Nutrition; Medicine and Science in Sports and Exercise; 


EUNICE COSTA
Nutricionista, Licenciada em Ciências da Nutrição pela Universidade do Porto, CP 2448ON 
Pós-graduação e Mestranda em Nutrição Clínica (FCNAUP)
Pós-graduação em Endocrinologia (FML)
Pós-graduação em Nutrição Entérica e Parentérica (FCNAUP)
Pós-graduação em Gestão, Marketing e Publicidade
Especialização em Nutricoaching 
Especialização em Nutrição no Desporto (International School of Sports Nutrition and Human Performance)
Palestrante em cursos e acções na área da Nutrição Comunitária e Saúde Pública
Experiência Profissional em Hospitais, Clínicas e Health Clubs
Administradora do São João Health Club e Seven Fitness Club

HIDRO, O EXERCÍCIO SEM SACRIFÍCIO



Saltar a um ritmo alucinante numa aula de aeróbica, suar sem parar, provocar impacto nas articulações, nem sempre é recomendável às pessoas que queiram manter a forma física. Quem procura riscos e esforços menos intensos ao fazer exercício tem na hidroginástica uma boa opção. 

Ninguém sabe ao certo como começou este tipo de atividade física. Alguns dizem que é mérito do Doutor Kenneth Cooper - aquele famoso do teste - que na teoria, foi criado no início da década de 60. Muitos afirmam que é uma extensão da hidroterapia, frequentemente utilizada na recuperação de atletas com problemas musculares, idosos e acidentados. 

Se a origem é uma incógnita, os profissionais e adeptos não se cansam de apontar as vantagens deste tipo de ginástica. A maior delas é o local onde se pratica: piscinas com 1,50m/1,60m de profundidade. Na água, a força da gravidade é compensada pela flutuação do líquido e deixa o indivíduo até 90% mais leve. Com isto, os exercícios mais difíceis de serem realizados no solo tornam-se uma "brincadeira", inclusive porque são feitos mais lentamente dentro da piscina. Além disso, a resistência da água aumenta o trabalho dos músculos e o ritmo da frequência cardíaca. 

A facilidade na execução das chamadas rotinas (exercícios coordenados e repetidos) é um dos fatores decisivos na escolha da hidroginástica. 

A hidroginástica aumenta a condição cardiovascular, desenvolve a coordenação motora, melhora a resistência muscular, relaxa o corpo, reduz as dores lombares e o risco de lesões na coluna. Todos podem praticar! 

Com problemas no joelho, a empresária de 39 anos, Fernanda Couto, trocou as aulas de natação pelas de hidroginástica e não se arrependeu. "Perdi um pouco de resistência, mas ganhei em flexibilidade", relata. Comparando os dois tipos de exercícios é possível notar que na aula de hidro se trabalham grupos musculares, enquanto que para nadar se utilizam todos os músculos. Uma hora de natação queima, sensivelmente, o mesmo número de calorias que na hidroginástica, mas as aulas de hidro são mais suaves e animadas", avalia Fernanda. Quando se adere a este tipo de exercício físico, a monotonia é um conceito que fica fora da piscina. Vários materiais são utilizados para incrementar a resistência e exercitar diferentes músculos. Há ainda uma forma diferente de implementar o aumento da intensidade, conhecida como "deep water". Com o uso de coletes ou outros equipamentos, como o esparguete, os alunos simulam uma corrida na parte mais profunda da piscina, por exemplo, em séries de alta e baixa velocidade, intercaladas, à qual se dá o nome de “deep run”. O impacto é nulo, mas a frequência cardíaca é intensa. Não há desculpa para não aderir a esta modalidade. Até o antigo mito de estragar o cabelo com tantas idas à piscina pode ser ignorado. Nas aulas de hidro, quem não quiser não precisa mergulhar a cabeça.

O porquê da Atividade Física Regular

BENEFÍCIOS FISIOLÓGICOS DO EXERCÍCIO REGULAR

O desejo de melhorar a “aparência física” é a razão mais frequente que leva uma pessoa a iniciar uma atividade física regular. Muitos querem perder ou ganhar peso, outros aumentar a massa muscular. O exercício físico regular melhora a aparência física e é um instrumento para atingir ou manter o peso ideal. Quando a maioria das pessoas atinge o seu objetivo inicial, continua a fazer exercício simplesmente porque se sente bem. Este “sentir-se bem” é resultado das alterações físicas e químicas que ocorrem no organismo. Devido ao resultado destas alterações é que o exercício regular reduz o risco de doenças cardiovasculares, cancerosas, entre tantas outras. 

Exercícios aeróbicos (natação, hidroginástica, etc.) regulares aumentam a capacidade do sistema respiratório e cardiovascular. O sistema respiratório torna-se mais eficiente, aumentando o volume de ar inspirado e expirado a cada respiração (capacidade vital). Os músculos intercostais tornam-se mais fortes com o uso e a capacidade do coração de ejetar maior quantidade de sangue aumenta a cada batida. Devido ao facto de o coração poder ejetar um grande volume de sangue em cada batida, o coração “bate menos” para suprimir o organismo de sangue. Uma pessoa bem condicionada tem uma frequência de repouso mais baixa. 

Exercícios regulares também fortalecem as paredes dos vasos sanguíneos e promovem um desenvolvimento dos capilares, promovendo portanto uma melhoria na circulação sanguínea. A capacidade do organismo de extrair oxigénio do sangue aumenta da mesma forma. Exercícios regulares fortalecem o sistema esquelético, aumentando a densidade óssea, o que reduz o risco de osteoporose. O uso repetitivo dos músculos durante o treino aeróbio, combinado com o treino de resistência muscular aumenta realmente a densidade e a circunferência do tecido muscular. Se o trabalho apropriado de flexibilidade for incluído, os músculos esqueléticos não só se tornam mais fortes como também mais flexíveis. Músculos flexíveis e fortes protegem as articulações de lesões e permitem que o corpo se movimente de forma mais fácil. 

Muitos órgãos como o fígado, intestinos e rins são também beneficiados. A capacidade funcional do organismo cai de 5% a 10,5% por cada década entre as idades de 20 a 70 anos. O tecido muscular e a flexibilidade também são perdidos com o processo de envelhecimento. O exercício regular, promove capacidade funcional em qualquer idade.

BENEFÍCIOS PSICOLÓGICOS DO EXERCÍCIO REGULAR

Embora seja difícil isolar e confirmar os benefícios psicológicos do treino, muitos estudos surgem dizendo que a prática de atividade física regular pode melhorar a função psicológica. O exercício é regularmente indicado para reduzir a depressão e a ansiedade.

A atividade física regular:

Diminui o nível de stress e tensão;
Melhora a qualidade de sono;
Aumenta a energia e a produtividade;
Melhora a autoestima e a própria imagem;
Melhora o auto controle.

Algumas empresas que mantêm programas regulares de exercícios mostram que os seus funcionários que participam nestes programas são mais produtivos, têm menor número de faltas, menos acidentes, menor gasto em despesas de saúde e, em casos de recuperação, levam menos tempo. 

Os praticantes de atividade física regular experimentam um sentido de bem-estar geral e uma melhoria na qualidade de vida. Pessoas que são bem condicionadas fisicamente podem mais rapidamente suportar o stress diário físico, emocional, social e psicológico tanto no trabalho como na sua vida pessoal.

Rui Pedro Azevedo

Diretor Técnico e Proprietário do ProFitness Health Club 
Doutorando no ramo da Motricidade Humana – especialidade Fisiologia do Exercício 
Especialização de Pós Licenciatura na Especialidade de Educação Física 
Instrutor Internacional AEA
Presenter Internacional 

DESMISTIFICAR O TREINO COM ELECTROESTIMULAÇÃO MUSCULAR INTEGRAL EMS


Ouvimos falar cada vez mais da Electroestimulação Muscular como um novo método de treino.
Apesar da EMS ser considerada, atualmente, um novo e inovador método de treino, a electroestimulação muscular tem uma longa história e foi apenas na segunda metade do século passado que surgiram os primeiros estudos científicos relevantes, comprovando o aumento de força (cerca de 40%) em humanos através do uso de electroestimulação muscular.

O termo que sempre esteve associado à Fisioterapia e Reabilitação, seja no tratamento de lesões ou na recuperação muscular, surge agora como alternativa ou complemento ao treino convencional. Mas afinal em que consiste este novo conceito de treino?
Electromyostimulation Whole Body (EMS-WB), em português Electroestimulação Muscular Integral, consiste num treino intenso que combina: a contracção voluntária, através da realização de exercícios específicos e dinâmicos, com a contracção provocada pela electroestimulação activa dos principais grupos musculares em simultâneo.

É esta combinação que distingue a EMS-WB dos outros tipos de electroestimulação (local e passiva, por exemplo), uma vez que conciliando o exercício à electroestimulação consegue-se num treino de apenas 20 minutos trabalhar mais de 300 músculos, com 100% de activação de fibras musculares. Esta activação é conseguida através dos eléctrodos que são colocados nos principais grupos musculares, enquanto simultaneamente se realiza o treino, composto por exercícios específicos de acordo com o programa e objetivos do praticante.

Como veio a EMS revolucionar o mundo do Fitness?
Atualmente, a EMS não é apenas um método de treino para os atletas de elite. Pode encontrar-se nas principais cidades mundiais estúdios com Profissionais especializados em EMS, tornando o serviço mais próximo e acessível ao cidadão comum.

Tendo em conta que nos dias de hoje o tempo é um bem escasso e que a maior parte da população aponta como desculpa a falta de disponibilidade para a prática de exercício físico regular, o novo conceito tem tido uma ascensão exponencial e em escala mundial, tornando a EMS a nova tendência do Fitness.

O fator diferenciador e que justifica todo o mediatismo é, principalmente, a obtenção de resultados muito mais rápido do que as outras modalidades convencionais: menor número de sessões e com duração mais curtas.

Seja para atletas profissionais, amadores ou para simples praticantes de fitness é possível encontrar soluções para treino com EMS em ginásios, clubes e estúdios especializados. Os resultados variam de acordo com os programas de treino, no entanto, está cientificamente provado que é possível melhorar a força, resistência, velocidade, equilíbrio, hipertrofia muscular, redução de massa gorda, entre outros.


Fisiologicamente como funciona?
A tecnologia usada na EMS imita o princípio natural da contracção muscular, que é o resultado da interacção entre o cérebro, o sistema nervoso central e o tecido muscular.
No treino convencional, os músculos são controlados por impulsos eléctricos enviados pelo sistema nervoso central. Na EMS, os músculos reagem aos impulsos eléctricos enviados pelos eléctrodos. Na verdade, a EMS não estimula directamente o músculo, mas indirectamente através das estruturas neurais, uma vez que as membranas dos axones são mais sensíveis do que a membrana das fibras musculares. Desta forma, o músculo não sabe se o estímulo é externo, ou enviado pelo cérebro, reagindo sempre da mesma forma: com contracção muscular.
É um treino Seguro?
É totalmente seguro.
Os impulsos de baixa frequência usados no treino com EMS estimulam unicamente os nervos e os músculos da musculatura esquelética estriada. Além disso, o estímulo é personalizado de forma a garantir um ajuste adequado às características individuais do praticante. A sensação da electroestimulação deverá ser a mesma de uma contracção muscular em esforço.
Logicamente que, quando se fala em segurança, é obrigatório realçar que todos os treinos deverão ser ministrados por um profissional especializado no treino com EMS, garantindo a segurança do praticante sempre em primeiro plano.

Porquê treinos de apenas 20 minutos por semana?
O treino com EMS engloba mais de 300 músculos, ou seja, o equivalente a 90% dos músculos são trabalhados em simultâneo, incluindo agonistas e antagonistas. Para além disso, as contracções musculares são de melhor qualidade já que o trabalho é mais intenso e mais profundo, pois activa também uma maior quantidade de fibras musculares.
Considerando que se trata de um treino que leva a um aumento significativo do metabolismo, uma vez que são exercitados um grande volume de músculos em simultâneo, considerando ainda, a intensidade, o gasto calórico (durante e após o exercício) e a eficiência do treino, os treinos de 20 minutos com EMS podem ser equiparados a aproximadamente 3 treinos convencionais. Pelo que, após vários estudos científicos apurou-se que 20 minutos são o tempo ideal para levar a um melhor equilíbrio e resultado.
Por outro lado, e tendo como base o referido acima, é importante realçar que o tempo de repouso entre sessões de treino deverá de ser de 7 dias para todos os iniciantes no treino com EMS, incluindo atletas ou indivíduos altamente treinados.

Quem pode treinar com EMS?
Está cientificamente provado que o treino com EMS pode ser eficaz para pessoas de diferentes faixas etárias e níveis de aptidão física e não apenas para atletas. Aliás, como se trata de um treino sem cargas externas e sem impacto articular, não sobrecarrega as articulações permitindo trabalhar os músculos de uma parte do corpo lesada de forma eficiente, podendo ser praticado inclusive por pessoas com patologias e limitações articulares e/ou musculares como hérnicas discais, próteses das ancas, recuperação de operações, etc.

Que tipo de Resultados se pode conseguir?
Estudos científicos comprovam que dependendo do seu programa de treino e dos objectivos de cada um, pode-se alcançar os seguintes resultados: aumento da força, resistência e velocidade, diminuição da massa gorda e celulite, hipertrofia e tonificação muscular, redução de dores de costas, diminuição e desaparecimento de incontinência urinária, entre outros.

Gisela Lima

Licenciada e Mestre em Educação Física e Desporto
12 anos de experiência como Personal Trainer
Formadora EMS da miha bodytec
Co-founder da eBody

Acompanhamento em sala, Avaliação Física, Prescrição Individualizada… porquê não abdicar?!


As tendências do mercado do Fitness acompanham as tendências da “evolução” da sociedade. Cada vez mais constatamos uma crescente individualidade social, caminhando para uma vida mais isolada de pessoas e acompanhada de tecnologia. Será mau? Não, mas reforçava a importância/necessidade crucial de uma educação que nos permite saber distinguir o que complementar e o que substituir.
Com certeza que nunca se deve substituir um profissional da Atividade Física e Saúde por uma App. Um profissional competente, de atuação responsável, permanentemente em formação, disponível, focado no cliente, orientado para potenciar a performance de cada um.
Com certeza que nunca se deve substituir um plano de treino individualizado, prescrito especificamente para si, por um plano de treino geral com foco apenas no objetivo sem ter em atenção a individualidade do seu corpo, as suas reais necessidades, capacidades físicas, predisposição emocional e motivações associadas à prática de Atividade Física.
Enquanto profissional da área sinto a responsabilidade de consciencializar para a necessidade de marcamos a diferença nos serviços que prestamos aos clientes. Não queremos ser mais um, mas sim profissionais que vão mais além do que o seu título.
Devemos estar cientes que somos modelos poderosos, que podemos inspirar e motivar as pessoas a atingirem um outro nível de condicionamento físico. Temos a missão de influenciar positivamente as pessoas para aquisição de hábitos de vida ativos e mais saudáveis.
Mas como é que conseguimos fazer isso? Conhecendo, ouvindo, estando disponíveis para os nossos clientes.
Podemos verificar uma crescente oferta de Health Clubs que abdicam, conscientemente, destes serviços em prol do seu modelo de negócio. Como em contrapartida, constatamos Health Clubs que reforçam a importância do serviço ao cliente, aprimorando a qualidade do processo da Avaliação Física, da prescrição individualizada, do acompanhamento permanente em sala, da formação constante dos seus profissionais, no “Customer lifetime value”.
Segundo IRSHA (2015) devemos fornecer um serviço excecional ao cliente, a fim de melhorar a experiência de cada sócio e certificar que estão convenientemente integrados no clube. Tendo entendimento que o tempo com os clientes é extremamente importante, precisamos de criar uma experiência positiva aos mesmos para os manter satisfeitos, entregando o que eles necessitam e têm como expectativa durante a sessão de treino, pois o primeiro passo para fidelizar com êxito os clientes é conhecer em profundidade o seu valor.
A Avaliação Física é um aspeto chave, que nunca deve ser descurado pelos profissionais da área. É o primeiro contacto do cliente com a área técnica, culmina com o pico da sua motivação após a inscrição num clube e deve ser tratada com todo o respeito e o maior profissionalismo. 
Permite-nos conhecer efetivamente o nosso cliente, as suas expectativas relativas à prática da atividade física e devemos estar preparados para esclarecer questões sobre a mesma. Quanto mais informado e confiante estiver o cliente, maior a probabilidade da experiência de treino ser positiva, refletindo-se numa permanência maior no clube e, como tal, mais anos de prática de atividade física, logo uma população mais ativa.
A Avaliação Física é, efetivamente, o instrumento certo no processo de obtenção, aplicação e delineação de informações descritivas de julgamento sobre a capacidade física funcional e de proporções morfológicas que visam um perfil global do condicionamento físico do sócio, para interpretação e análise dos dados obtidos (Molinari, 2000). Devemos ainda compreender as necessidades pessoais, histórico de saúde para prescrever o treino de forma adequada e segura.
Todos os dados recolhidos no processo de avaliação (Par-Q, definição de objectivos, anamnese, estratificação de risco, avaliação da composição corporal, testes físicos) permitem-nos definir o calendário de prescrição de treino (planeamento das reavaliações) e a prescrição de treino específica para o sócio em particular (respeitando as Guidelines de treino, adequando à particularidade de cada um), eficaz e seguro. Devemos igualmente clarificar os sócios sobre os benefícios da prática do exercício físico e dar uma estimativa em relação ao tempo previsto para alcançar os seus resultados, orientando-o no delineamento de metas, face ao compromisso assumido.
Para que este processo se desenrole é fundamental o acompanhamento de profissionais especializados durante as sessões de treino. Podemos ir do mais particular e específico, sessão de treino personalizado, para o geral, o acompanhamento em sala. Mas abdicar deste serviço é que não é opção. 
Enquanto profissional está nas “minhas mãos” criar o valor acrescentado, diferenciador face à ausência de acompanhamento. Devo assegurar um bom acolhimento aos sócios, respeitando os princípios da competência, legitimidade, disponibilidade e flexibilidade. Garantir uma demonstração e explicação do seu plano de treino eficaz, instruindo de forma clara e precisa.
Manter controlo na dinâmica da sala, acompanhando os sócios durante o treino, garantindo dicas de execução e correções técnicas de valor, pois devemos ter sempre presente que se trata da saúde dos nossos clientes. 
Acreditar que somos substituídos por “nada/ausência de serviço” é realmente frustrante. Mas mais frustrante que isso é perceber que, quando temos a oportunidade de acrescentar valor, não o fazemos e comprometemos o futuro da nossa profissão.
Sabe-se que a maior prevalência dos cancelamentos num clube de Fitness é causada pela atitude ou indiferença do staff (68% aponta má experiência com os instrutores de fitness), e que clientes insatisfeitos delatam o nosso serviço entre a 9/12 amigos e apenas clientes satisfeitos promovem o nosso serviço entre a 4/5 amigos (IHRSA, 2011).
Portanto, é fundamental o acompanhamento em sala, uma avaliação física idónea, uma prescrição de treino individualizada, para assegurar a qualidade de serviço que os nossos clientes procuram. A qualidade do serviço que o Fitness pode prestar à sociedade depende de nós, os profissionais da área. Esta não é mais do que conseguir à primeira, que o produto ou serviço cumpra corretamente a finalidade para a qual está destinado, entregando-o ao cliente, na forma que o satisfaça.
Se estivermos a fazer algo que nos interessa muito, e se acreditarmos o suficiente no seu propósito, então é impossível imaginar não tentarmos tornar isso ótimo.

Lia Flor Bahut
Mestre em Atividade Física e Saúde (FADEUP)
Licenciada em Educação Física e Desporto (FCDEF-UP)
Fitness Manager na Solinca Health & Fitness, SA
Master Trainer da Technogym
Formadora na GTF

O YÔGA COMO PROMOTOR DE UM MELHOR DESEMPENHO NAS DEMAIS MODALIDADES DO GINÁSIO.


O yôga e a sua ancestralidade

A prática do yôga tem milhares de anos, segundo os especialistas, pelo menos 5 mil anos de existência. Para ter sobrevivido até aos nossos dias, para ter atravessado milénios sem cair no esquecimento, ou se ter extinguido, é prova mais do que suficiente do seu valor, do seu poder. As suas origens remontam ao local onde hoje se encontra a Índia e o Paquistão, mais precisamente no vale do rio Indo. De origem dravídica ou pré-dravídica, essa filosofia de vida foi cativando cada vez mais adeptos que tinham como principal objetivo expandir a sua consciência a um patamar muito acima da média, o samádhi, a mega lucidez, a hiper consciência.

Ao longo da História, esta filosofia de vida foi sendo alvo de transformações, foram surgindo outros ramos especializados apenas em determinadas técnicas, e surgiram várias escolas. Existem 108 ramos de yôga homologados na Índia e, para além destes, na era da comercialização ocidental desenfreada, sobretudo nos EUA, surgiram até ramos de yôga para cães e outras incoerências, que fazem os antigos mestres dar voltas nos seus túmulos.

Um tipo de yôga fidedigno, com profissionais bem formados, promove no aluno alterações fabulosas num curto espaço de tempo. Apesar de nos ginásios a pretensão primeira não ser o samádhi, o que é certo é que o praticante vê transformar a sua condição física e a perceção do mundo de forma extraordinária, melhorando a performance física, as suas relações, o seu foco e o alcance das suas metas.

A prática do yôga como base para um melhor desempenho nas demais modalidades

Muitos atletas acabam por nunca experimentar uma aula de yôga pelo simples facto de terem a ideia errada de que é algo muito parado, ou que é místico e espiritual, ou ainda que está voltado sobretudo para o público feminino, afastando os atletas masculinos. Só após as primeiras aulas, caso pratiquem um tipo de yôga autêntico, se vão aperceber do poder desta prática ancestral. É, então, que têm noção que essa prática pode ser a chave para elevar a sua condição física a um outro patamar. 

Frequentemente, atletas experientes e com uma boa condição física, saem de uma primeira aula de yôga impressionados, dada a dificuldade que apresentaram em fazer posições aparentemente simples e permanecer nelas por um determinado período de tempo. É comum ouvir o aluno iniciante dizer que descobriu músculos que nem sequer sabia que existiam.

Ao praticar yôga o aluno vai perceber uma metamorfose no seu corpo físico, emocional e mental que não o vai deixar indiferente. Melhora a sua performance desportiva, mas mais do que isso, transforma todas as áreas da sua vida, graças a essa consciência expandida. Vai perceber logo nas primeiras aulas um aumento da capacidade respiratória, expandindo em muito a amplitude pulmonar e, à medida que vai praticando com mais regularidade, tonifica a musculatura e aumenta a flexibilidade; trabalha a capacidade de superação, tão importante para alcançar as metas ao longo da vida, e não só as desportivas; aumenta a concentração com recursos eficazes e com milénios de garantia; promove equilíbrio vertebral; corrige a postura física; entre outras técnicas que melhoram a performance a vários níveis.

Capacidade respiratória: ao respirar de forma mais consciente e ampla transporta-se mais energia às células, mais energia ao corpo, gere-se melhor o esforço, ganha-se mais vitalidade e melhora também o estado emocional, reduzindo a pressão em situações de stress.

Força e a flexibilidade: estas técnicas, para além de melhorarem a resistência e minimizarem as lesões, tornam o aluno mais saudável e consciente de cada parte do seu organismo, com milhares de técnicas baseadas num trabalho isométrico, sem repetição.

Concentração: os exercícios que a desenvolvem aumentam o foco, a atenção, o melhor conhecimento de todo o corpo físico, emocional e mental.

Redução do stress: não só o atleta de alta competição, mas o desportista comum é muitas vezes acometido por tensões e situações stressantes que prejudicam a sua performance desportiva. A prática do yôga ajuda a eliminar essa tensão e a deixar que a energia seja toda ela canalizada para o alcance dos resultados almejados.

Ao praticar yôga o indivíduo começa a ter uma noção mais pormenorizada não só do seu corpo, mas também do mundo que o rodeia e, se é capaz de gerir melhor o seu potencial físico, melhora também a sua qualidade de vida. Não raras vezes os alunos dirigem-se ao seu professor revelando que, desde que começaram a fazer regularmente as aulas, a sua vida sofreu uma transformação para melhor, em várias áreas da sua vida e não só no campo físico ou desportivo. Com frequência, revelam que começaram a ter mais consciência na forma como se alimentam, como se relacionam com as pessoas, como encaram os problemas e os transformam em soluções. Uma metamorfose completa.

Marco Santos

Licenciado em Português/História, pela Faculdade de Letras da Universidade Católica.
Especialização em Ciências Documentais, pela Universidade Portucalense.
Formação de Instrutor de SwáSthya Yôga, pela Universidade Internacional de Yôga.
Instrutor em vários ginásios do Grande Porto.
Autor do livro Palavrejar.
Ex-atleta federado de velocidade, 100 e 200 metros. 

PADEL – UMA MODALIDADE EM GRANDE EXPANSÃO



Cada vez mais nascem campos de padel em Portugal. Uma atividade que já conta com mais de 15000 praticantes e 150 campos onde se pode praticar. Será uma moda? Há espaço para crescer?
Uma das modalidades que se encontra em grande expansão em Portugal é o Padel.
O Padel é um desporto de raquete, jogado a pares. O campo é rectangular, fechado por paredes de estrutura metálica e vidro. Existe uma rede no meio do campo a separar duas áreas de jogo. O piso do campo poderá ser em relva sintética, alcatifa ou em betão poroso. Em termos de investimento, poderá construir-se um campo de Padel a partir dos 10.000€.
Uma das razões para esta modalidade ter muitos adeptos é a sua abrangência em termos de idades: pode ser praticada desde os 5 anos até aos 80, e por ambos os sexos. Este poderá ser um dos motivos pelo qual o Padel é muitas vezes praticado em família, sendo também uma atividade onde a componente social está muito presente. 
Outra razão para haver uma grande adesão à modalidade deve-se ao facto da aprendizagem ser rápida. Ao contrário de outros desportos de raquete, como por exemplo, o ténis, esta atividade é de fácil aprendizagem e rapidamente se torna divertida e viciante. 
Dadas as suas características, o Padel, na minha opinião, não será uma moda pois quem procura esta atividade, fá-lo para se distrair e também para estar com família e amigos.
Atualmente já existem health clubs e centros desportivos que também apostam nesta modalidade, dando-lhes assim a possibilidade de usufruírem de mais opções nas suas instalações, levando a uma maior fidelização.
Os health clubs e centros desportivos conseguem apresentar valores de alugueres, por vezes mais competitivos na prática desportiva em comparação a instalações que se dedicam exclusivamente ao Padel.
Uma pessoa que experimente jogar Padel pela primeira vez tem 80 a 90% de probabilidade de voltar a jogar, 70% das quais tornam-se regulares na prática desportiva. Actualmente os valores de alugueres de campos rondam os 10€/h podendo ir até aos 35€/h.
É através de torneios e eventos socias, ligados ao padel, que os health clubs dinamizam os seus campos e geram mais contatos. Desta forma, existe uma forte divulgação entre os praticantes de padel que passam a conhecer as instações e  serviços associados. Normalmente alguns dos prémios, de participação ou a vencedores, poderão ser a utilização de serviços no health club de forma, ao potencial cliente para experienciar serviços. De facto, existe uma limitação no que diz respeito a alguns clubes exclusivamente de padel: um cliente que queira, e de forma a evitar lesões, por exemplo, fazer algum treino de compensação, terá de procurar um outro espaço. Aqui os ginásios apresentam esta mais valia, pois têm a vantagem de fazerem o seu treino de compensão nas próprias instalações, de forma orientada e técnicos especializados. Assim sendo, existe uma variedade de serviços que os health clubs oferecem, que são totalmente aconselhados a quem prática esta modalidade tais como, Serviço de massagens, nutrição, sala de fitness, aulas em grupo ou personal training.
Por outro lado, poderá pensar-se que será um risco perder clientes de fitness para o padel. A realidade é que se existir uma boa comunicação e acompanhamento, estes clientes não se irão perder, muito pelo contrário, irão ficar mais fidelizados. Existem relatos de pessoas que substituiram totalmente a prática em fitness pelo padel, só que, passados uns tempos, sentiram a necessidade de voltar por o padel ser uma atividade unilateral, onde existem alguns desquilibrios posturais e sobrecarga dos membros dominantes e  que, com um treino de compensação, torna o corpo mais apto para a sua prática.
Com esta oferta diversificada de campos, como se dão a conhecer novos campos? 
Cada vez mais são organizados torneios para todos os níveis de participantes com o intuito de dar a conhecer os campos e estimular a vontade de jogar entre os demais. Existe uma forte componente social, dada a intensa interacção entre jogadores e pessoas que os acompanham, podendo estas últimas vir a aderir também à modalidade. 
É crescente a necessidade de organizar de forma mais otimzada os níveis dos jogadores. Inicialmente existiam 3 níveis - nível I para jogadores de alta competição; nível II para jogadores com muita experiência; nível III para iniciados. Recentemente surgiu um novo nível IV, este sim, indicado para iniciados. Já em Espanha, onde o número de praticantes desta modalidade é significativamente superior comparativamente a Portugal, existem 7 níveis.
Segundo as estatísticas, em Espanha, o padel é o segundo desporto mais praticado com 9% da população. Em 2015 foram registados, segundos estudos da ASICS, aprox. 3 milhões de jogadores ocasionais e 1,7 milhões habituais.
O que é necessário para iniciar a prática e que investimento inicial deverá dispor?
Em termos de investimento necessita de ter uma raquete e bolas, para começar. Existem variados tipos de raquete, podendo custar entre 20€ a 500€ - a escolha dependerá do que o jogador quer investir e da qualidade do que pretende adquirir. Quanto às bolas, um tubo de 3 bolas custa cerca de 4€, embora possam existir tubos mais caros com bolas melhores e com outra durabilidade. 
Depois, se quiser praticar a modalidade de forma mais regular poderá adquirir outras coisas, tais como uns ténis específicos para Padel com uma sola mais especifica. Estes poderão trazer maior conforto e segurança ao praticante, com preços a partir dos 30€. Como podem ver existe equipamento para todo o tipo de carteira.

Reunidas estas condições e encontrando parceiros, já se pode passar uma boa hora em campo a jogar. 
Como é feita a progressão da modalidade?
O número de escolas de Padel tem vindo a aumentar com o aumento dos campos. Actualmente uma empresa que tenha campos de Padel, possivelmente terá também uma escola de Padel. Um praticante que queira ter aulas de Padel poderá fazê-lo individualmente ou, em alternativa, em grupo. Os valores mensais para aulas (1X/ semana) situam-se entre 25€ e os 60€. Assim, o praticante tem a oportunidade de melhorar a sua técnica e consequentemente o seu jogo.
Para quem não conhece ou nunca jogou Padel, recomendo procurarem um campo e experimentarem!

Pedro Quintanilha

Diretor Técnico GO fit Olivais
Coordenador de Padel no GO fit Olivais
Formador Adaptive GO fit Cross

Personal Trainer

Como Aumentar a Retenção das Equipas em 5 passos


Após uma fase em que todos os clubes andavam preocupados com as vendas, assistimos agora a uma preocupação geral, focada na retenção. No entanto, nunca ouvimos falar de Retenção das Equipas como uma Ferramenta Poderosa no crescimento e manutenção dos nossos sócios.
Uma das frases que mais trouxe comigo da minha experiência na Walt Disney World Resorts, em Orlando foi: “Podes Desenhar, Criar e Construir o Sitio Mais Fantástico do Mundo, mas são precisas pessoas para tornar esse sonho uma realidade”.
Acredito ainda que mais do que pessoas, nós precisamos das Pessoas Certas. Essas quando encontradas, temos de as agarrar. Partilho desta forma os 5 Passos para Garantir uma Equipa Forte, Disciplinada e Duradoura.

1 Passo: “Imagem” do Recrutamento. Esta “imagem” não se refere a layouts bonitos ou anúncios criativos. Interessa é salientar a forma como gerimos o processo. 
Como Transmitir uma boa imagem no recrutamento:
Ter apenas anúncios atualizados;
Não ter muitos anúncios seguidos para a mesma função;
Colocar na agenda espaço suficiente entre cada entrevista para garantir que o entrevistado se sente confortável e tem tempo para expor todas as suas mais-valias. Dando maior possibilidade de análise, também ao Entrevistador;
Limitar o número de entrevistas por dia. Desta forma tem mais energia e foco para cada entrevistado, não passando a imagem de que está a fazer muitas entrevistas e que a função para a qual está a recrutar não exige grande atenção da sua parte;
Gerir o próximo passo: Cumprir o que promete. Se não tem a possibilidade de contactar todos os candidatos:
o Ex. Dentro de 2 semanas iremos selecionar o candidato. No entanto, iremos apenas contactar o vencedor. Pelo que se não receber mais nenhum contacto da nossa parte, desejo-lhe desde já boa sorte na procura por um novo emprego.
2 Passo: Gestão de Expectativas. Quando iniciamos uma ligação profissional são esperadas coisas de um lado e do outro. Quanto mais clara for essa mensagem, mais fácil será a gestão e mais duradoura será a ligação. 
Deixo aqui um exemplo para Personal Trainers:
Expectativa inicial – O que é esperado que tu já saibas (pelo que foi demonstrado na entrevista)
o Ex. Efetuar um treino em segurança e que promova resultados; Estar presente nos briefings com o PT Manager; Participar nas reuniões mensais.
Expectativa da Formação – O que é esperado que tu aprendas 
o Ex. Como Funcionam os procedimentos internos, Como fazemos avaliações e o processo de conversão para cliente PT.
Expectativa de Acompanhamento – O apoio que podes contar por parte da empresa
o Ex. Um Manager para tirar dúvidas e expor as tuas dúvidas ou dificuldades; uma equipa comercial focada em trazer novos clientes para que tenhas mais oportunidades de conversão e crescimento da tua carteira de clientes; Material necessário para efetuares um trabalho seguro e de sucesso com os teus clientes; Equipamento para te destacares na sala de exercício; Formação contínua para evoluíres como profissional.
Expectativa de Resultados – O que é esperado que tu atinjas
o Ex. 60 Horas mensais de Vendas em Personal Trainer
Expectativa Profissional – O que é esperado do teu comportamento com os sócios e com a equipa.
o Ex. Arrumar o material que estiveres a usar; Não chegar tarde aos treinos e avaliações; Evitar entrar na receção sem necessidade ou autorização.

3 Passo: Plano de Formação. O Plano de formação é algo que muitas marcas têm. Algumas iniciam de forma religiosa mas poucas o cumprem escrupulosamente de início ao fim. Os desafios do dia-a-dia, a necessidade de resultados rápidos e, muitas vezes, o cansaço de repetir um processo em pouco tempo, levam a que o plano de formação não tenha o foco necessário.
Eis como conseguir uma formação IMPEC:
I – Introduzir o Plano de Formação e as regras a respeitar assim como o prémio pelo sucesso.
M – Medir a aprendizagem ao longo dos módulos de modo a avançarmos à velocidade do formando e não do formador.
P – Penalizar as interrupções (tanto por parte do formador, como do formando, como de quem for interromper)
E – Entusiasmar o formando a participar ativamente durante todo o processo. Trazendo mais energia e interação para ambas as partes.
C – Celebrar uma formação produtiva e sem interrupções. Esta celebração pode ser através de Pins, Diplomas, ou outra forma com a qual se identifiquem.

4 Passo: Plano de Crescimento. Quando perguntados, quase todos os colaboradores querem ser “chefes” um dia. Feliz e infelizmente, nem todos serão os líderes que a marca procura. Sem promessas de crescimento rápido ou de crescimento por “velhice” no clube, a única forma de crescer num clube não deve ser sendo chefe. Assim, é imperial criar um plano de crescimento dentro da própria função. Quantos casos de insucesso profissional conhecemos porque promovemos aquele comercial fantástico a diretor comercial, ou a diretor de clube? De repente, o comercial fabuloso passou a péssimo diretor. A estrutura falha. Perdemos o Diretor e o fantástico comercial também.
Exemplo de plano de Crescimento para equipa comercial (adaptações podem ser feitas a outras áreas do negócio):
Comercial > Comercial Sénior
1º Ano com 80% dos Targets Mensais Concretizados
2º Ano com 90% dos Targets Mensais Concretizados.
6 Targets Mensais com mais de 110% atingido
Média anual superior a 5 Referências Angariadas por Adesão.
Mais de 70% vendas por Referências
60% das Vendas em Plano Superior
Taxa de Retenção das adesões, dentro do período de fidelização, de 90%
Comercial Sénior > Diretor Comercial
Manter os requisitos anteriores mais:
No 3º ano fazer acompanhamento durante um ano de 1 novo elemento (Rookie) da equipa comercial
Rookie com 70% dos Targets Mensais Concretizados 
Rookie com 4 targets atingidos acima de 110%
Rookie com 50% das vendas por Referências
Rookie com 40% de vendas em Plano Superior
Rookie com Taxa de Retenção das adesões, dentro do período de fidelização, de 90%
Ler 5 dos Livros referenciados sobre Gestão de Equipas
Obter Formação sobre Liderança e Gestão de Equipas
Diretor Comercial > Diretor de Clube/Assistente de Diretor de Clube
2 anos consecutivos com 100% do objetivo anual de número de sócios 
Número de sócios Ativos por Débito Direto igual a 100% 
Acompanhar o Diretor de Clube na elaboração de um Mapa de Aulas
Ser Capaz de efetuar um Mapa de Aulas eficiente.
Ter conhecimento profundo sobre todas as áreas de negocio do clube.
Ser capaz de construir um Day Flow de Diretor de Clube
Liderar Briefings e Reuniões com a Equipa
Liderar a equipa em Eventos de sucesso 
Não comprometer os resultados durante o tempo de preparação

5 Passo: Encorajar o espírito “INTRApreneur”: Quanto mais participamos em algo, mais nos envolvemos, mais interesse criamos e acima de tudo, mais responsabilidade colocamos no sucesso. Devemos, como tal, encorajar a participação dos nossos colaboradores na empresa. Mantendo-os parte integrante de algumas decisões. É importante o reforço positivo e o apoio para aquelas ideias que não acreditamos muito, mas que aquele colaborador que é comprometido e ainda não falhou connosco está entusiasmado para avançar. 
Como desenvolver o espírito INTRAPRENEUR:
Solicitar Ideias e Responsáveis para Eventos
Reconhecimento dos Eventos de sucesso
Concurso com atribuição de prémios para as ideias mais originais e inovadores que possam impulsionar o negócio
Reconhecimento de ideias e ações concretizadas com sucesso
Encorajar a criação de ações entre a equipa

Preocupe-se com o seu staff e não tenha mais preocupações com os seus clientes. Melhores Gestores Sempre Desenvolvem as Suas Equipas. 

RUI GOMES

Business Adviser na iCoach 
Coaching Político e Empresarial
Especialista em Comunicação não-verbal e discurso para plateias
Formador Nacional e Internacional em Gestão e Motivação de Equipas
Diretor de Op. e Recrutamento no Projeto de Expansão Fitness UP
Diretor de Clube Solinca
General Manager Fitness First Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos
Area Sales Manager Zomato Media Company
Pós Graduação em Gestão de Health Clubs & Spas.

miércoles, 3 de mayo de 2017

OS NOVOS RUMOS DO FITNESS

A década de 90 foi muito marcante no desenvolvimento dos modelos profissionais de gestão das academias. Foi nesse período que as academias começaram a desenvolver os controlos de performance, começaram a organizar as informações, começaram a "importar" de outros tipos de negócios mais maduros, algumas técnicas de gestão e as adaptaram às academias. 

Foi nesse período que as vendas profissionais desembarcaram nas academias e a partir daí nada mais foi o mesmo.

Considero que foi nesse período, depois da chegada das vendas, que deixamos de ser academias e viramos um NEGÓCIO, um BUSINESS.

Até então o mercado era constituído por donos de academias que na sua maioria eram ex-professores ou então ex-atletas ou até mesmo entusiastas de desporto. Mesmo alguns tendo experiência como gestores, a maioria adotava um modelo de gestão bem reativo e até certo ponto amador. Eu diria romântico mesmo.

No fim da década de 90 tudo começou a mudar e a partir dos primeiros anos da década de 2000 houve uma grande explosão de "investidores" dispostos a derramar um camião de dinheiro no negócio-academia. Na verdade o que foi definitivo devem ter sido os avanços da internet que permitiram que a população entendesse de maneira definitiva a importância da atividade física regular para todos.

De um momento para o outro o mundo descobriu que fazer ginástica, que correr, fazer musculação, spinning, natação e pilates trariam enormes benefícios a todos.

A partir daí virou negócio, virou BUSINESS e daí em diante as proporções ficaram impressionantes. Muito, mas muito dinheiro apareceu para se investir em cadeias de academias. Já não se fala mais em abrir uma academia, fala-se em abrir 10, 20, 30 unidades de negócio como se fosse ir até à padaria e comprar 20 pãezinhos.

Vários bancos de investimento estão aplicando o dinheiro dos seus clientes no mercado de academias já que os números tem mostrado que o retorno é garantido.

O mercado está hipertrofiado e não falta fôlego para essa indústria que já movimenta biliões. Mesmo com as cíclicas e costumeiras crises económicas mundiais o mercado de atividade física e saúde cresce de maneira consistente.

Como todo mercado que cresce se segmenta, no mercado de fitness não é diferente e há alternativas para todos os tipos de consumidores. Há academias low cost, baratíssimas, há academias premium, caríssimas, há estúdios funcionais, de pilates, cross fit, grupos de corrida, personal trainers, programas de treino online e a lista é grande e crescente.

O consumidor é rei neste mercado e pode escolher o que quiser, no preço que quiser, onde quiser e se beneficiar de várias maneiras.

Infelizmente todo mercado que cresce também perde um pouco de qualidade e isso está a acontecer também.

A sede e o desejo desenfreado pelo lucro tem feito com que muitas cadeias de ginásios se preocupem mais em montar estruturas físicas grandes, luxuosas e, de preferência, com preço acessível, mas não conseguem fazer com que mais pessoas beneficiem realmente da atividade física. E quando digo realmente é que 72% das pessoas que procuram um ginásio o fazem para emagrecer e infelizmente a maioria não chega nem perto dos resultados. 75% dos clientes não conseguem nem frequentar o ginásio o número de vezes por semana mínimo para obter resultados. 50% dos novos clientes desistem de frequentar antes mesmo de completarem 90 dias de matricula. Cada academia perde em média 12% do total dos seus clientes por mês. Na verdade os ginásios sobrevivem de novas vendas e não do aumento de permanência dos atuais clientes. A cada dia investe-se mais nas vendas, nos formatos de pagamento, na baixa dos preços e quase nada nos esforços para mudar definitivamente o comportamento do consumidor. Infelizmente o número de clientes que se dececiona com a nova relação com a atividade física é crescente. 

Realmente há muitas opções para se escolher onde se exercitar mas infelizmente são raros os locais onde uma pessoa se pode inscrever e obter os tão desejados resultados físicos. 

Quando se fala sobre isso entre empresários, estes apressam-se em argumentar que ir para a academia também é uma experiência, um momento social, um momento para relaxar e esquecer dos problemas do dia-a-dia. É verdade. Pena que os clientes na sua maioria, 75%, querem na verdade emagrecer. Pode ser num lugar onde relaxem, onde encontrem pessoas, mas querem emagrecer.

É comum num jantar encontrar alguma pessoa que diz: “Eu tentei ir para uma academia, comprei um plano anual, e fui 3 ou 4 vezes.”. Para mim, parece que temos uma oportunidade gigante aqui. A empresa que quiser apresentar-se como uma empresa que se preocupa e efetivamente entrega RESULTADOS para os clientes, certamente estará num nicho de mercado com baixíssima competição e alta procura por parte da população. 

Vejam que temos muito que amadurecer no que se refere a profissionalismo no mercado de fitness.

O momento é de investir no atendimento ao cliente, investir na qualificação da equipa. Assim como noutros mercados, estamos a seguir a ordem natural das coisas. Depois de disputar pelo preço, chegou a hora de disputar pela qualidade.

Almeris Armiliato

 
Gym Factory Portugal © 2014 gymfactory.net & Gym Factory . ...