sábado, 24 de diciembre de 2016

Diretor Bombeiro: A Construção de um Day Flow Prático e Eficiente

Há fogo? Só um herói é chamado para o apagar. O DIRETOR DO CLUBE!
Todos os dias num Ginásio perto de si, encontra Diretores de Clube, que são excelentes mestres na arte do improviso e resolução de problemas “que mais ninguém consegue resolver”. 
Estão sempre disponíveis para o que der e vier. São mártires com um trabalho que nunca mais acaba e que despertam nas equipas a sensação de que não vale a pena ser diretor se é para ter uma vida igual à daquele infeliz.
Estamos a falar de uma espécie incansável que faz 10 a 14 horas de trabalho diário sem olhar para o relógio a não ser quando já é quase hora de fechar, e ainda falta tanto para fazer.
O dia começa com coisas que não conseguimos terminar no dia anterior; em cima disso temos as tarefas do dia; uma caixa de email com vida própria e a aumentar a cada minuto, mais aquelas situações que nos surpreendem e achamos que não podemos controlar. 
Vamos analisar 3 exemplos práticos que certamente já aconteceram a muitos dos meus colegas que estão a ler este artigo:
- A aparelhagem que não funciona.
O professor responsável pela aula chega desesperado, a 1 minuto da aula começar, ao pé do diretor e diz que a aparelhagem não funciona e já está tudo à espera. De imediato, o Diretor levanta-se, corre para a sala e aplica a técnica infalível dos diretores – DESLIGA E VOLTA A LIGAR O APARELHO. O milagre acontece, mas o Diretor já perdeu o fio condutor da tarefa que estava a efetuar.
- O Cliente que só fala com o Responsável. 
O Diretor está a dar formação a um novo elemento. Entra pela porta dentro o rececionista a solicitar a presença do Diretor na receção pois está um sócio a reclamar e só fala com o responsável. O Diretor, interrompe a formação (que ele disse ao novo membro que era sagrada), vai à receção e pergunta qual o problema. O sócio responde que a água da piscina hoje estava fria. O Diretor diz que vai verificar o problema e que amanhã estará na temperatura normal. Ele resolve o assunto de imediato mas deixa alastrar o verdadeiro problema.
- A substituição da aula de grupo. 
Este é, talvez, o maior terror para um Diretor de Clube. De imediato agarra o telefone e liga para tudo o que é professor até encontrar o anjo que vem dar a substituição. Meio dia de trabalho perdido, mas já se livrou das reclamações por falta de professor para dar a aula.

No meio de um dia em que tivemos de “concertar” aparelhagens, ouvir aquele sócio que só queria falar com o Responsável, ligar para encontrar um professor de substituição, atender fornecedores, dar formação ao novo colaborador e tentar esvaziar a caixa de emails, terminamos o dia cansados mas com a sensação de que não fizemos nada. Ainda para mais, quando no final do dia verificamos que as vendas foram fracas e que já não há nada que possamos fazer para melhorar os resultados desse dia e muito pouco está nas nossas mãos quanto aos prognósticos do dia seguinte. Principalmente se for um dia como o anterior – a probabilidade é que vai ser muito semelhante.

Será que é possível ter vida própria e ao mesmo tempo gerir um clube? 
No início da minha carreira achava que não. Pensava que a única forma de conseguir vencer a batalha e ver a minha caixa de email vazia, por mais de 1 minuto, era ir trabalhar sábado e Domingo. Dessa forma, conseguia descansar o domingo à tarde com a sensação de ter a situação controlada, embora assombrado pelo pânico de amanhã já ser segunda feira e saber que tudo iria recomeçar.
Felizmente, a vida permitiu-me aprender com os meus erros, encontrar livros úteis e conhecer pessoas fantásticas que me ajudaram no processo. Mas acima de tudo, coloquei a meu favor a determinação que tinha em encontrar soluções. Os Diretores de Clube são fantásticos a encontrar soluções. Embora eu tenha percebido que nem sempre eram as soluções certas.

EU QUERO UMA VIDA PRÓPRIA. QUERO GERIR O MEU CLUBE E TERMINAR O DIA COM A SENSAÇÃO DE DEVER CUMPRIDO. 
O dia que comecei a AGIR focado nisto foi o dia em que tudo mudou.
Nós temos a vida que queremos e escolhemos/permitimos. Comece o dia por definir as suas prioridades. Divida em 2 ou 3 partes. Como exemplo vou dividir em 3 as prioridades para o dia de hoje: 
1ª Crescimento do meu negócio; 
2ª Motivação da minha equipa; 
3º Momento pessoal com a namorada. 
Depois devemos identificar quais as tarefas correspondentes. O que temos mesmo de fazer hoje. De preferência devemos colocar uma linha limite no tempo para nos ajudar na orientação. 
Ex: 
07h15 Tomar o pequeno-almoço enquanto define a lista de prioridades.  
08h15 Treinar no clube
09h15 Ronda no clube
09h30 Analisar resultados e reajustar objetivos diários (se necessário) 
10h00 Reunir com a equipa comercial
10h30 Atualizar caixa de email
12h00 Ronda no Clube
13h00 Almoçar
15h00 Briefing individual 15’ com o Comercial
16h00 Briefing individual 15’ com a PT.
17h00 Analisar resultados e projeção do dia seguinte
18h30 Verificar todos os pontos anteriores e necessidades da equipa.
19h30 Levar a namorada a jantar
Claro que se trata apenas de um exemplo (embora muitas vezes real de alguns dos meus dias). Aquilo a que dou mais valor desde que comecei a trabalhar desta forma é que a definição das prioridades permite fazer aquilo que é mais importante, dando no final do dia a sensação de dever cumprido e de um dia produtivo. 
No meio, muitas coisas poderão acontecer, mas se formos intransigentes com o nosso plano, vamos identificar outra necessidade: FORMAR E DELEGAR.
Coloco primeiro Formar, porque às vezes a necessidade de Delegar é grande mas sem a devida formação corremos o risco de delegar a tarefa a alguém que não está preparado para entregar o resultado e as consequências são gravíssimas levando o líder a pensar: “Se queres algo bem feito, faz tu mesmo”. Este pensamento, é o maior bloqueador de inovação e desenvolvimento de uma marca.
Prepare a sua equipa:
Tudo começa no dia em que contratamos um novo colaborador. 
Uma boa gestão de expectativas – Estou a contratar-te para não ter de fazer o teu trabalho. Tu és o responsável quando te pedem ajuda (sócio ou staff);
Um bom plano de integração – Estas são todas as áreas do clube, todo o staff, todas as ferramentas que tu precisas; 
Um plano de Formação Completo – Esta é a forma de utilizares estas ferramentas que te mostrei; 
E o mais difícil, Acompanhar e fazer Seguimento.
Com a equipa já existente deixo a sugestão: Comecem do zero, e vão ficar surpreendidos com a quantidade de coisas que a equipa, que já está na empresa há vários anos, vai aprender sobre o clube e sobre os colegas.

Antes de mudar o fruto, mude a raiz
Respeite mais as suas tarefas e elas serão mais respeitadas pelos outros. Leve-as até ao fim sem permitir interrupções. E ganhe assim o respeito que a sua equipa tem pelas suas tarefas. Começarão e interrompê-lo menos e a assumir maior responsabilidade da situação.

RUI GOMES

Coaching Político e Empresarial
Especialista em Comunicação não-verbal e discurso para plateias
Formador Nacional e Internacional em Gestão e Motivação de Equipas
Diretor de Op. e Recrutamento no Projeto de Expansão Fitness UP
Diretor de Clube Solinca
General Manager Fitness First Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos
Area Sales Manager Zomato Media Company
Pós Graduação em Gestão de Health Clubs & Spas.

Os novos Novos - Os portugueses 45+ vistos de outro prisma

Este é o primeiro de uma série de 3 artigos sobre este projeto, desenvolvido pela Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN) em parceria com a GFK e com a 40+Lab, tornado público em Fevereiro de 2015.

Nestes 3 artigos irei abordar os principais aspetos do projeto, apresentar os 5 segmentos motivacionais identificados e referir algumas das suas aplicações ao negócio, seja na definição da oferta, na gestão de clientes como na gestão do capital humano. Tudo isto tendo em conta a atualidade do tema e a utilidade deste framework de gestão.

Passado mais de um ano, porque uma série de artigos sobre este tema? Porque o tema contínua atual é uma boa razão, mas não é o principal motivo. O facto de cada vez mais as organizações estarem a olhar para o envelhecimento da sociedade e a perceberem que precisam de se adaptarem a esta nova realidade demográfica é a principal razão.

Os novos Novos são uma grelha de análise dos portugueses com mais de 45 anos, segmentados segundo as suas motivações nucleares face ao envelhecimento, de acordo com as motivações e necessidades mais profundas. Neste artigo abordo as bases do projeto, os seus objetivos e pressupostos.

A espiral de mudança abruta na demografia portuguesa que, sobretudo nesta última década, tem provocado profundas mudanças económicas, sociais e culturais tem vindo a acentuar a perceção de que o mercado precisa de mais informação sobre os portugueses com mais de 45 anos, atualmente a mais relevante e dominante faixa de consumo em Portugal.

Na realidade, e sobretudo num país que apresenta uma das maiores taxas de envelhecimento populacional da Europa, pouco se sabe sobre estas pessoas/consumidores. Quem são aqueles que se encontram entre os jovens adultos e os mais velhos? Quem são as pessoas entre os 45 e os 60 anos? E quem são realmente os seniores portugueses? 

Por volta dos 45 anos, em regra, o indivíduo depara-se com uma alteração de ciclo de vida, fruto do amadurecimento cerebral, de mudanças a nível cognitivo, psicológico e sensorial. Estas alterações, mais ou menos conscientes, levam-no a pensar o futuro, rever motivações, alterar hábitos e estilos de vida.

Compreender o que se passa com as pessoas na faixa etária dos 45 aos 55 anos é estrutural, quando se quer compreender o universo da população sénior. É imperativo trabalhar sobre novos critérios de segmentação, uma vez que os dados sociodemográficos tornam-se cada vez menos explicativos de quem são os 45+, o que fazem e porque o fazem. 

Nesta lógica, Os novos Novos apresentou-se ao mercado como um projeto que inovou na forma como se estuda e segmenta a população portuguesa (45 e os 75 anos), permitindo conhecer em maior profundidade o macro segmento de consumo com maior potencial de crescimento em Portugal. 

Este projeto assentou em 3 premissas, ou hipóteses que foram testadas/analisadas:
Premissa 1- o desenho da estratégia para o envelhecimento começa por volta dos 40 anos: por volta dos 40 anos o indivíduo é confrontado com os primeiros sinais de envelhecimento, sendo a perda de acuidade visual um destes sinais. A nível neurológico, é por volta dessa idade que se atinge a maturidade do cérebro, a qual acarreta mudanças a nível físico e psicológico. Tudo isto leva a que, por volta dos 40/45 anos, as pessoas comecem a pensar na forma como querem envelhecer;

Premissa 2 - os modelos de segmentação baseados na idade são pouco explicativos: um dos fenómenos associados ao processo individual de envelhecimento está relacionado com a perceção da idade. Conforme se envelhece, menor é a identificação de cada um com a sua idade biológica, sendo a idade psicológica o referencial adotado.

Em mercados onde o envelhecimento da população é algo ainda novo, como é o caso de Portugal, onde o segmento sénior ainda não é visto como um segmento estratégico para a maioria das marcas, a segmentação da população 40+ é fortemente marcada pelo fato de se estar ou não no ativo, ou dito de outra forma, de se ser, ou não, reformado.

Mercados onde o chamado Silver Segment é mais importante, sabe-se que o fator “reformado” ou “não reformado” explica alguns dos comportamentos e escolhas das pessoas, mas não é um dos principais para a compreensão das mais profundas motivações das pessoas, o que ficou estatisticamente comprovado neste projeto.
Premissa 3 - a tradicional visão dos estádios de vida pouco corresponde à realidade das pessoas 45+:


Todo o ciclo de entrada na vida ativa atrasou-se. Os filhos saem de casa mais tarde e, em muitos casos, quando sai uma geração nasce outra, com o refazer das vidas afetivas e muitas famílias agregam numa mesa casa crianças e jovens, pais e avós. Um convívio geracional pouco comum.

Por volta dos 40 anos muitos adultos vêm as suas vidas profissionais serem alteradas. Uns emigram, outros decidem adotar um outro estilo de vida, outros são forçados a encontrar outra alternativa por causa do desemprego. Se nos últimos anos falou-se em empreendedorismo jovem, hoje em dia fala-se cada vez mais em empreendedorismo sénior.

Estes 3 pressupostos estão na raiz da definição do projeto e na fundamentação do porquê se considerar que a segmentação motivacional é aquela que melhor responde à necessidade do mercado, de conhecer quem são os portugueses 45+.

Assim, o principal objetivo do projeto foi conhecer a população portuguesa 45+ através da introdução de critérios inovadores de segmentação tais como:
Motivações na vida (o que me move); 
Tipologia de família; 
O “eu” aspiracional;
As relações inter geracionais.

Desta forma pretendeu-se proporcionar a informação necessária para uma gestão de negócio mais eficaz, mais focada e com maior potencial de ROI, bem como útil no desenvolvimento de eixos de comunicação para a motivação e para fomentar o pensamento positivo que impulsione o consumo.

Ana Sepúlveda
(autora residente)

O exemplo de Carlos Sá (ultra trail). Como acreditar sem ver resultados?

Demasiadas vezes estamos condicionados pelas experiências do passado que nos limitam na construção de novos cenários…. no futuro!
Um dos méritos da utilização do nosso imaginário é abrirmos a possibilidade de criarmos realidades que ainda não existem.

Um dos méritos da utilização do nosso imaginário é abrirmos a possibilidade de criarmos realidades que ainda não existem, realidades que podemos ter alguma dificuldade em saber como "vamos materializar", como vamos concretizar. 
Demasiadas vezes somos condicionados, por algo que já referi num artigo anterior, em acreditar com base exclusivamente em resultados visíveis. Se partir do princípio que só acredito naquilo que vejo estou a deitar para trás das costas uma imensidão de coisas que ainda não vejo e que são suscetíveis de virem a acontecer. Esta premissa tem em si um aspeto muito importante! Se eu só acredito com base naquilo que "consigo ver" dificilmente terei um mindset que me permita ter ruturas e "revoluções" nos meus pensamentos, nos meus comportamentos e, consequentemente, nos meus resultados.

Esta introdução é inspirada numa das pessoas que mais visibilidade tem tido nos últimos anos, numa das atividades desportivas mais exigentes (ultra trail): Carlos Sá.
Para quem não sabe ou para quem não conhece a sua história vale a pena dedicar um pouco de tempo a conhecê-la. O Carlos Sá foi desde muito cedo um amante do desporto e, mais concretamente, do atletismo. Desde os 12 anos foi dando largas à sua paixão procurando seguir as pisadas do seu principal ídolo, Carlos Lopes. Tentando conciliar treinos, aulas e trabalho chegou até aos 19 anos sem conseguir concretizar o seu sonho de se tornar profissional do atletismo.

A partir dos 19 anos, teve aquilo que o próprio designou de idade da "parvalheira" que culminou com um Carlos Sá a fumar dois maços de tabaco por dia, a ter um peso bem acima do ideal e, mais importante de tudo, a ter um estilo de vida muito sedentário. Durante este período de aproximadamente 11 anos muitas das suas decisões (conscientes ou inconscientes) pareciam querer afastá-lo de algo que era especialmente importante para si: a corrida.
Até que aos 30 anos, "percebeu que subir 33 degraus da garagem para o hall de casa de uma vez era impossível. E era estúpido também. Regressou ao desporto porque tinha "memórias boas" do que era ser saudável."

Neste momento quero fazer um ponto prévio. Nesta altura, já o Carlos tinha passado uma fase importante da sua evolução enquanto potencial desportista profissional, tendo relegado uma carreira no atletismo "mais tradicional".

Já por volta de 2010, depois de enfrentar a situação de desemprego, ora na indústria têxtil ora na indústria da construção civil, "pôs-se a correr para se abstrair. Muito. Tudo o que podia e mais".
Nesta altura, o ultra trail estava a dar os primeiros passos. O número de participantes desta modalidade era muito baixo (cerca de 100 era a média por prova) e o número de provas era também muito reduzido.

Face a este cenário parecia pouco promissor alguém ambicionar viver de uma atividade que, para além de exigir muito tempo e muito esforço físico e mental, ainda não tinha dimensão suficiente para chamar a atenção de patrocinadores, apoios e comunicação social.
Todavia, parecia que o Carlos Sá tinha reencontrado a sua Paixão. De alguma forma tinha reencontrado dentro de si a crença num caminho, que na altura carecia de muitas certezas e abundava em muitas dúvidas. Como viver de uma atividade pela qual nutre tanta paixão e que não tem qualquer expressão em Portugal?

Lembremo-nos que por esta altura Carlos Sá pôs-se a correr "tudo o que podia e mais"... e os resultados internacionais começaram a aparecer!
No ano de 2012 e das sete provas em que participou, Carlos venceu cinco, tendo ainda conseguido dois quartos lugares na Marathon des Sables disputada em Marrocos, com 250 quilómetros, e no Ultra Trail do Monte Branco nos Alpes, com uma extensão de 103 quilómetros.
Em 2013 atinge o resultado que o catapultou para as primeiras páginas dos jornais. Participando pela primeira vez na mítica prova Badwater, a 16 de Julho de 2013, venceu a Ultramaratona de Badwater na Califórnia cumprindo os 217 quilómetros da prova em 24h38m.

Hoje, para além de ser um atleta de renome, desenvolveu um projeto empresarial em torno do trail e ultra trail. Organiza provas, dá palestras e muito mais. Ajudou a abrir caminho para muitos outros que se seguiram. Hoje as provas têm milhares de participantes e o calendário anual é preenchido com centenas de provas a nível nacional.

Todavia, convém lembrar que esta história teve início num caminho onde a crença teve que, de alguma forma, sobrepor-se ao que era visível. Por vezes, há caminhos que fazemos que nos levam para onde queremos … mesmo sem sabermos!!! Sendo que esses caminhos são feitos de uma forma apaixonada e indo de encontro ao que é mais importante para nós!
E é com base nisso que por vezes não temos de "pagar para ver", porque aquilo em que acreditamos vai criar novos horizontes e novas perspetivas. Vai provocar ruturas e quebrar crenças. Vai mostrar-nos um admirável Mundo Novo!

Demasiadas vezes somos condicionados pelo passado…. Talvez pela excessiva valorização da experiência passada! Sendo que os resultados do futuro vão depender do nosso mindset em relação à nossa capacidade de criar, agora, novas possibilidades em relação a novas realidades futuras!
Sendo a história de Carlos Sá um exemplo de vida, ela é também uma história de alguém que decidiu optar pelo exercício físico e fez de um estilo de vida saudável…. a sua forma de Viver!

Nuno Silva
(autor residente)
Managing Partner DBS
Certicado em Coaching e Master em PNL

#Portugalfit

Mais de 25 mil pessoas passaram pelo #Portugalfit, o maior evento de Fitness português, no fim de novembro. Com um cartaz que contemplou mais de 50 atividades, de que fizeram parte aulas de grupo, sessões de showcooking, espetáculos coreografados, workhops de coaching e comunicação, sessões de corrida e de esclarecimento com PT e nutricionistas, não faltou o que fazer durante o fim de semana que pôs o país a mexer. Aberto ao público em geral, a reafirmação do seu compromisso contra o sedentarismo ganhou ainda mais força com o aumento do número de participantes face à primeira edição em 2015, e à dedicação e entrega de todos no local.

Um dos maiores destaques voltou a ser para a XXIII Convenção Internacional de Atividade Fìsica Manz, um evento inserido no programa que reuniu centenas de profissionais e curiosos pelos temas apresentados, numa área do #Portugalit em que a palavra-chave foi formação. Este ano, e pela primeira vez, o 9.º Encontro Nacional da AGAP integrou a Convenção, oferecendo aos interessados em todos os temas de Gestão uma oportunidade de aprendizagem diferente e ainda mais rica.
Espanha, França, Japão, Brasil, Angola, Cabo Verde e Nova Zelândia foram ainda países que se fizeram representar no mesmo espaço, por speakers internacionais que contribuiram para um ambiente de troca de experiências e convívio contínuos.

Para todos os interessados nas novidades de equipamentos, vestuário, alimentação e outros produtos de vida saudável, a Feira de Fitnes, com expositores ativos e atividades próprias, foi a opção escolhida.

Pessoas seguem Pessoas


Porque mudam as pessoas de ginásio? 
Para além de fatores como o preço, localização, instalações, um dos motivos principais assenta na premissa que pessoas seguem pessoas, isto é, muitas vezes a mudança de ginásio prende-se na decisão de seguir alguém que se admira ou com quem se mantém uma forte relação.
O nosso negócio propicia relações e fortifica a importância das mesmas nas escolhas de cada um.

Desde sempre, em qualquer área de negócio ou a nível pessoal, a relação que temos com as pessoas é proporcional ao bem-estar que sentimos em estar em determinado local e podermos privar com essas pessoas com quem nos sentimos especiais, muitas vezes pela empatia que sentimos, outras pela personalidade que admiramos, pela energia que contagiam, porque nos divertem ou porque prestam um serviço excecional.

Todos gostamos de ser bem servidos e que se preocupem connosco, de forma a ficarmos agradecidos e com vontade de corresponder ao que nos fizeram sentir. Senão vejamos: quantas vezes escolhemos uma loja ou restaurante porque as pessoas que lá trabalham nos trataram muito bem e cuidadamente? Quantas vezes gostámos de um nome por identificarmos com alguém que admiramos?

Nos clubes, devido à proximidade que temos com as pessoas, a arte de bem receber e fazer sentir boas emoções são determinantes para aumentar a retenção.
Por muito que queiramos que os sócios escolham modalidades e não professores, sabemos que é tarefa difícil isolar estas duas realidades. Desde pequenos que gostamos das disciplinas lecionadas pelos professores preferidos.

Por muito que gostemos de determinada modalidade, se o professor não sintonizar com o nosso registo, dificilmente iremos gostar, mas o contrário acontece com mais frequência, isto é, um professor fazer com que passemos a gostar de fazer algo pela sua forma de atuar, simpatia, dinamismo ou qualquer outra característica que nos conquiste.

E porquê? Porque quem recebe bem os sócios, quer na aula, na sessão de Personal Training ou mesmo no clube marca positivamente a experiência e induz a vontade de a repetir.

Receber é uma arte, e como toda a arte, deve-se propor a fazê-la quem sente vontade de a praticar. Há que a fazer sentir a quem recebemos por atitudes, que nos preparámos para a receber, dar-lhe muita atenção de forma personalizada e genuína. Deverá imperar a simplicidade que é elegante e deixa as pessoas mais à vontade.

Diria que as melhores coisas da vida, como o sucesso, felicidade e amor, dependem da nossa habilidade para criar e manter relacionamentos bem-sucedidos e duradouros. Esta habilidade é conhecida como inteligência emocional.

A tão falada inteligência emocional é a habilidade para reconhecer, controlar e comunicar efetivamente as nossas emoções e reconhecê-las nas outras pessoas. Quando as nossas habilidades associadas à inteligência emocional estão bem desenvolvidas asseguramos uma sólida componente emocional que nos ajuda a construir uma forte relação e a saber comunicar com clareza.

E para que tudo isto aconteça teremos de construir relacionamentos positivos, estar focados nas pessoas, saber ouvir, saber ler o registo de cada um, entender motivações, sentimentos e necessidades e contagiar muita diversão e alegria.

E como numa relação pessoal, quanto melhor conhecermos com quem nos relacionamos, melhor poderemos responder aos seus gostos, personalidade, valores e educação.

O risco ocorre muitas vezes quando achamos que podemos apenas seguir o que sempre fizemos e como sempre fizemos.

Como profissionais que somos, o nosso trabalho é constantemente avaliado pela nossa postura e atitudes mas também pelas novas ideias que geramos e pela inovação que apresentamos.
Um profissional que se prepara, que estuda, que investiga, que põe em prática novos comportamentos e soluções é verdadeiramente inovador e eficiente.

Na relação com um profissional de fitness, tal como numa relação pessoal, terá de imperar uma grande dinâmica para que todos os dias sejam diferentes e melhores e, desta forma, proporcionar resultados duradouros e emoções muito positivas.

O mercado está cada vez mais exigente e já não basta ser simpático, dar uma boa aula ou um forte treino. Há que surpreender as pessoas com treinos diferenciados, mais desafiantes, que motivem a superação e que, em simultâneo, as divirta e as faça sentir bem. Sempre a progredir e a fazer aprendizagens.

Existem pessoas que nos acrescentam valor, que nos fazem evoluir, seja pela sua educação, por serem cultas ou mesmo interessantes e por isso nos sentimos bem perto delas. Quando aprendemos algo ficamos felizes e damos uma boa aplicação ao nosso tempo, que é valioso.

Deverá haver um registo de otimismo, quer no nosso discurso, quer no encorajar metas, centrarmo-nos em soluções, nem que seja necessário sair da zona de conforto, tendo sempre por base um bom e descontraído ambiente.

Quando tudo isto acontece, conscientemente ou não, teremos seguidores, que nos seguem nos treinos, nas redes sociais, nos comportamentos e atitudes, na forma saudável de encarar a vida e até mesmo na vida pessoal.

É notável também que o poder crescente das redes sociais nos permite uma maior proximidade e aumenta a nossa capacidade de influenciar decisões e comportamentos.

A importância das redes sociais como Facebook, Instagram ou Twiter é que se tornaram uma ferramenta de relação entre as empresas e  os seus clientes, tornando-se indispensáveis à comunicação dos dias de hoje. Através delas é possível estabelecer vínculo, conhecer hábitos, fortalecer conexões e até mesmo solucionar conflitos.

Personalidades fortes e com provas de sucesso são sempre os mais seguidos: O Cristiano Ronaldo é a segunda pessoa com maior número de seguidores nas redes sociais, apenas atrás da cantora norte-americana Taylor Swift, de acordo com um estudo publicado pela Apple Tree Comunications.
E quando somos apaixonados por pessoas e por aquilo que fazemos, a conquista acontece e também somos conquistados…

E, assim, quando saímos dum projeto temos pessoas que espontaneamente nos acompanham, pela confiança, pelo profissionalismo, pela empatia ou mesmo pela amizade. E para nós é como se de um forte reconhecimento se tratasse. Sentimos gratidão, felicidade e um grande orgulho por conseguirmos relacionamentos inabaláveis.

Isto porque pessoas seguem pessoas… e acreditem, quando vivenciamos isto, tudo faz muito mais sentido.


Carla Natário

  • Diretora 1Fight
  • Licenciatura Gestão de Empresas
  • Diretora Tonik Laranjeiras
  • Diretora Holmes Place Amoreiras
  • Corporate Manager cadeia Holmes Place
  • Administradora Lisboa Wellness Center
  • Diretora Active Life


Práticas Corporais Holísticas e Fitness

Como profissional, educadora física, formadora, terapeuta holística e alguém que inspira pessoas a nível físico, emocional, mental e espiritual, atrevo-me a escrever este artigo no sentido de ampliar a consciência da comunidade do setor a ouvir os ecos do futuro. Olhar cada aluno, sócio ou cliente, colega, diretor… de uma forma mais profunda, ir além do corpo físico, é um requisito cada vez mais necessário ao longo desta mudança de Era planetária, tocando em cada um como um Todo.

Já não basta só o culto do corpo perfeito, há que integrar também a mente, o emocional e o espiritual da forma mais equilibrada possível, integrar o trabalho holístico num sector onde a capacidade física de cada um é a base para a evolução consciente.

Então como podemos adotar esta visão holística no sector do Fitness?
Comecemos então por definir a palavra Holística.
A palavra holística foi criada a partir do termo holos, que em grego significa "todo" ou "inteiro". Holístico ou holista é um adjetivo que classifica algo relacionada com o holismo, ou seja, que procura compreender os fenómenos na sua totalidade e globalidade. A abordagem holística acredita que os elementos emocional, mental, espiritual e físico de cada pessoa formam um sistema – o todo de cada um. O princípio geral do holismo pode ser resumido por Aristóteles, na sua Metafísica, quando afirma: “O todo é maior do que a simples soma das suas partes”.
O Holismo declara que qualquer sistema deve ser abordado como uma visão de totalidade, que busca integrar as partes dentro de um todo harmonioso.

O Corpo como base do desenvolvimento holístico
Definindo o corpo como: “tudo o que ocupa espaço e constitui unidade orgânica ou inorgânica”, “é a matéria que constitui o indivíduo”, “é aquilo que é passível de ser tocado, que possuí uma forma através do qual existe contato com o exterior”, podemos afirmar que o nosso corpo é a melhor fonte de informação sobre o funcionamento da nossa mente, das nossas emoções bem como da nossa auto perceção da energia pessoal. Segundo Gasparetto, o corpo é uma espécie de sensor que acusa o modo como o indivíduo lida com os acontecimentos. Então, é no corpo físico que cada um manifesta o que pensa e o que sente. Sentimentos reprimidos como medo, insegurança, raiva, culpa, ressentimentos, etc., derivados da qualidade do pensamento, são manifestados no corpo físico pelo inconsciente como forma de doença.
Todavia, é importante referir que o exercício físico consegue mobilizar a energia pessoal acumulada isto é, mobiliza o fluxo energético a circular pelos respetivos canais energéticos diminuindo a possibilidade de bloqueios emocionais. A sensação de bem-estar e disposição física, a melhoria da condição física e da aparência física, são estados que ajudam a expandir os canais energéticos, logo, ajudam a diminuir os sentimentos reprimidos. Segundo Guiselini, o exercício físico é o meio de interligação das dimensões física, emocional, social, mental e espiritual pela mobilização e equilíbrio da energia pessoal.

Quais as práticas corporais holísticas integradas no sector Fitness & Wellness?
Com a redescoberta do condicionamento do corpo e uma maior enfase à consciência corporal, entramos assim numa onda ascensional de práticas corporais onde o condicionamento físico ou mais especificamente o bem-estar físico é a base para que as restantes componentes do sistema holístico se integrem.

São elas:

Pilates
É um sistema de exercícios para todo o corpo focado no alongamento e fortalecimento, gerador do equilíbrio físico e prevenção de lesões. Este método enfatiza a precisão, a fluidez, a consciência corporal, a concentração, a respiração, economia e qualidade dos movimentos e alinhamento do corpo. Resulta assim para os seus praticantes, em formas mais alongadas, força sem corpulência, costas sólidas, postura mais correta e uma maior flexibilidade muscular e mobilidade das articulações, além de um renovado vigor mental. A prática do Método Pilates é cada vez mais popular no sector Fitness sendo um método de controlo muscular desenvolvido por Joseph Pilates por volta de 1920.

Yoga
Além de ser uma filosofia de vida que teve origem na Índia há mais de 5000 anos, é também um sistema holístico que trabalha o corpo e a mente ao mesmo tempo. O yoga trabalha as emoções, ajuda as pessoas a agir de acordo com seus pensamentos e sentimentos, além de trazer um profundo relaxamento, concentração, tranquilidade mental, fortalecimento do corpo físico e o desenvolvimento da flexibilidade.
Yoga significa unir, é um termo de origem sânscrita, uma língua presente na Índia, em especial na religião hinduísta. Yoga é um conceito, uma filosofia, que trabalha o corpo e a mente, através de disciplinas tradicionais de quem a pratica. A prática mais usual no sector do Fitness é o Hatha Yoga.

Tai Chi / Chi Kung
Ambos conhecidos como a arte da meditação em movimento, têm origem na china antiga. São apreciados no ocidente devido à sua relação com a meditação e com a promoção da saúde, oferecendo aos que vivem um ritmo veloz das grandes cidades, uma referência de tranquilidade e equilíbrio. Desde cedo, os monges budistas associaram exercícios físicos específicos, ao trabalho energético interno da pessoa. Seguindo isso, estas técnicas procuram promover uma sensação de bem-estar físico e mental, proporcionando ganhos a longo prazo.

Body Balance
É um programa de treino desenvolvido pela Les Mills que combina técnicas de yoga, tai-chi e pilates. Combina os princípios e práticas fundamentais do yoga e pilates tais como a respiração controlada, concentração, flexibilidade e força de modo a criar uma sessão holística que confere um estado de equilíbrio e harmonia ao corpo e à mente.

Happy Flow
É uma prática corporal integrativa desenvolvida por mim, a qual integra várias técnicas do movimento corporal consciente, no sentido de equilibrar o corpo, a mente e a energia pessoal. Através de uma viagem ao yoga, pilates, tai chi, ballet, barra no chão, relaxamento e meditação, os praticantes são levados a sentir um estado de harmonia e tranquilidade, ajudando-os deste modo gerir situações de ansiedade, stress, entre outros.

Assim, todas estas práticas corporais holísticas que atuam nas 5 dimensões do Ser Humano, contribuem de facto para um estilo de vida mais saudável, equilibrado onde a harmonia interna torna-se a base de Viver.

Madalena Aparício
  • Criadora da prática corporal integrativa Happy Flow
  • Terapeuta Integrativa
  • Licenciada em EF e Desporto;
  • Pós-graduada em Gestão de Ginásios e Health Clubs;
  • Doutoranda em Didáticas Especiais da EF e do Desporto;
  • Docente nos cursos de Fitness de Grupo;
  • Criadora do programa Tribal Dance®;
  • Criadora da prática corporal integrativa Happy Flow e Bodhimind Kids;
  • Terapeuta Integrativa;
  • Palestrante em cursos e ações de Desenvolvimento Transpessoal através do movimento corporal consciente, Inteligência Corporal, Dança Consciente e Meditação para Aprendiz

Quantidade, tipo e distribuição da ingestão de proteína – que impacto?


As proteínas são, dos 3 macronutrientes, os que beneficiam de um maior sucesso entre desportistas. O mercado adaptou-se, e é cada vez mais frequente encontrarmos suplementos em pó, barras, ou mesmo bebidas com uma grande quantidade de proteínas. Com este aumento da procura, surgiram também mitos e ideias falaciosas associados à sua ingestão, que merecem ser clarificados.

Que quantidade de proteína?
A atual recomendação de ingestão de proteína do Institute of Medicine é de 0,8g/kg/dia1. Contudo, este valor foi determinado por estudos que utilizaram técnicas de balanço azotado, que atualmente se reconhecem como inapropriadas para o estabelecimento de recomendações de ingestão de proteína2, pelo que urge a necessidade de revisão deste valor3. Trabalhos recentes mostram que ingestões proteicas na ordem dos 1,2-2,0 g/kg/dia poderão trazer benefício quando o objetivo passa pela hipertrofia muscular4, mitigação da perda de massa muscular em défice energético5 ou, simplesmente, na recuperação e adaptação ao exercício6.

Quantidade e distribuição da ingestão proteica
Muito se tem debatido acerca da quantidade de proteína necessária por refeição para maximizar a síntese proteica. Em 2009, Moore e os seus colaboradores forneceram a jovens do sexo masculino diferentes quantidades de proteína de ovo – 5, 10, 20 e 40 g - no final de um treino de musculação e verificaram que a síntese proteica nas horas subsequentes à toma aumentou até aos 20 g, não havendo benefício adicional quando ingeridos 40 g7. Posteriormente, um trabalho publicado no American Journal of Clinical Nutrition corroborou estes resultados, mostrando que a resposta a 20 e 40 g de proteína é semelhante, seja após o exercício ou em descanso8. No presente ano, surge um trabalho que põe em causa os resultados anteriores, onde se  verificou um aumento significativo da síntese proteica com a ingestão de 40 g de proteína (versus 20 g) após um treino de musculação9. Os autores apontam como possível causa deste resultado o facto de terem utilizado um protocolo de exercício de corpo inteiro, enquanto os trabalhos anteriores apostaram num treino de membro inferior. São necessários mais estudos, com desenhos metodológicos robustos, de forma a conseguirmos compreender melhor as condicionantes destas respostas.
Relativamente à distribuição de proteína, apesar das recomendações tradicionais se focarem apenas na ingestão proteica diária, os mais recentes trabalhos científicos apontam para a necessidade de dividi-la uniformemente durante o dia, com pelo menos 20 g de proteína em cada refeição (10,11). 


Serão as proteínas todas iguais?
As proteínas existem em grande parte dos alimentos que habitualmente consumimos, sendo que as carnes, peixes, ovos e laticínios são algumas das maiores fontes. No entanto, a qualidade da proteína difere entre alimentos, sendo que o score de aminoácidos corrigido para a sua digestibilidade (PDCAAS) é um dos melhores métodos para a sua distinção, uma vez que avalia a composição em aminoácidos da proteína, tendo ainda em conta a capacidade de absorção dos mesmos12. As proteínas de origem animal têm, frequentemente, um score elevado, quando comparados a proteínas de origem vegetal, havendo exceções como o caso da proteína de soja, que possui um score superior ao da caseína (proteína láctea)13.
No que diz respeito à estimulação da síntese proteica muscular, a quantidade do aminoácido leucina é um fator a ter em conta. A literatura sugere a existência de um limiar da quantidade de leucina necessário à estimulação máxima da síntese proteica, como uma espécie de “gatilho”14. O limiar de leucina poderá diminuir em praticantes assíduos de atividade física, e poderá aumentar com a idade, a inatividade, ou alguns tipos de patologias. Quando comparamos o teor de leucina em diferentes proteínas, verifica-se que 25 g de proteína de soro de leite (whey) têm mais leucina (3,0 g) que igual dose de caseína (2,3 g) ou proteína de soja (1,5 g) (Michaela, 2015).
Também a velocidade de absorção é um fator diferenciador nas proteínas. A whey, por exemplo, é uma proteína de ação rápida, ou seja, os seus aminoácidos chegam rapidamente à corrente sanguínea15. Por outro lado, a caseína demora mais tempo a ser digerida e consequentemente a libertação de aminoácidos é mais lenta15; a proteína de soja apresenta uma velocidade de absorção intermédia16. Pelas características acima descritas, parece evidente considerarmos a whey como uma boa proteína para o momento pós-treino, e a caseína uma boa fonte de proteína para a refeição antes de deitar. Dito isto, não podemos deixar de explicar que as carnes, peixes, ovos e produtos lácteos são excelentes fontes de proteína, não sendo crucial a utilização de suplementos de proteína para promover a hipertrofia e/ou adaptação muscular17. 

Assim...
A ingestão de uma quantidade adequada de proteína promove uma recuperação ótima em atletas, sendo importante saber escolher as melhores fontes, assim como fazer uma correta distribuição, quantitativa e qualitativa, ao longo do dia.


Escrito por:
Sara Moreira
Licenciada em Ciências da Nutrição pela Universidade do Porto;
Colabora com o Clube de Taekwondo das Caldas de São Jorge, tendo já colaborado com o Bike Clube de Portugal.

António Pedro Mendes
Licenciado em Ciências da Nutrição e doutorando em Nutrição Clínica pela Universidade do Porto;
Nutricionista do FC Paços de Ferreira;
Coordenador da Unidade de Nutrição e Alimentação do Hospital Agostinho Ribeiro.






1. Institute of Medicine. Dietary reference intakes for energy, carbohydrate, fiber, fat, fatty acids, cholesterol, protein, and amino acids. Washington, D.C.: National Academies Press; 2005.
2. Layman DK, Anthony TG, Rasmussen BB, et al. Defining meal requirements for protein to optimize metabolic roles of amino acids. The American journal of clinical nutrition 2015.
3. Phillips SM, Chevalier S, Leidy HJ. Protein "requirements" beyond the RDA: implications for optimizing health. Applied physiology, nutrition, and metabolism = Physiologie appliquee, nutrition et metabolisme 2016; 41(5): 565-72.
4. Phillips SM. Dietary protein requirements and adaptive advantages in athletes. The British journal of nutrition 2012; 108 Suppl 2: S158-67.
5. Thomas DT, Erdman KA, Burke LM. American College of Sports Medicine Joint Position Statement. Nutrition and Athletic Performance. Medicine and science in sports and exercise 2016; 48(3): 543-68.
6. Moore DR, Camera DM, Areta JL, Hawley JA. Beyond muscle hypertrophy: why dietary protein is important for endurance athletes. Applied physiology, nutrition, and metabolism = Physiologie appliquee, nutrition et metabolisme 2014; 39(9): 987-97.
7. Moore DR, Robinson MJ, Fry JL, et al. Ingested protein dose response of muscle and albumin protein synthesis after resistance exercise in young men. The American journal of clinical nutrition 2009; 89(1): 161-8.
8. Witard OC, Jackman SR, Breen L, Smith K, Selby A, Tipton KD. Myofibrillar muscle protein synthesis rates subsequent to a meal in response to increasing doses of whey protein at rest and after resistance exercise. The American journal of clinical nutrition 2014; 99(1): 86-95.
9. Macnaughton LS, Wardle SL, Witard OC, et al. The response of muscle protein synthesis following whole-body resistance exercise is greater following 40 g than 20 g of ingested whey protein. Physiological reports 2016; 4(15).
10. Areta JL, Burke LM, Ross ML, et al. Timing and distribution of protein ingestion during prolonged recovery from resistance exercise alters myofibrillar protein synthesis. The Journal of physiology 2013; 591(9): 2319-31.
11. Mamerow MM, Mettler JA, English KL, et al. Dietary protein distribution positively influences 24-h muscle protein synthesis in healthy adults. The Journal of nutrition 2014; 144(6): 876-80.
12. Schaafsma G. The protein digestibility-corrected amino acid score. The Journal of nutrition 2000; 130(7): 1865s-7s.
13. Tang JE, Moore DR, Kujbida GW, Tarnopolsky MA, Phillips SM. Ingestion of whey hydrolysate, casein, or soy protein isolate: effects on mixed muscle protein synthesis at rest and following resistance exercise in young men. Journal of applied physiology (Bethesda, Md : 1985) 2009; 107(3): 987-92.
14. Phillips SM. A brief review of critical processes in exercise-induced muscular hypertrophy. Sports medicine (Auckland, NZ) 2014; 44 Suppl 1: S71-7.
15. Boirie Y, Dangin M, Gachon P, Vasson MP, Maubois JL, Beaufrere B. Slow and fast dietary proteins differently modulate postprandial protein accretion. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America 1997; 94(26): 14930-5.
16. Yang Y, Churchward-Venne TA, Burd NA, Breen L, Tarnopolsky MA, Phillips SM. Myofibrillar protein synthesis following ingestion of soy protein isolate at rest and after resistance exercise in elderly men. Nutrition & metabolism 2012; 9(1): 57.
17. Sousa M. Nutritional Supplements & Food in Sport: Compared effect ingesting a commercial or homemade recovery beverage with similar nutritional content after exhaustive eccentric exercise on muscle damage, functional recovery, soroness markers, inflammation, oxidative stress, and metabolic parameters.: Faculty of Sport of Porto University; 2015.

Low Pressure Fitness - o treino global

O treino específico para a musculatura do tronco, nomeadamente a musculatura mais profunda da região posterior do tronco e os músculos das quatro paredes abdominais (parede superior, parede ântero-lateral, parede posterior e parede inferior do abdómen) com funções postural e de estabilização da pélvis e da caixa torácica é a base do sistema de treino Low Pressure Fitness, sendo considerado uma ferramenta essencial para o treino da musculatura do tronco com ação estática. 
Quando alteramos o nosso estilo de vida para uma vida mais ativa através do treino, um dos primeiros passos a realizar, é uma avaliação pré-exercício (avaliação da aptidão cardiorespiratória, da aptidão muscular, da flexibilidade, da composição corporal) realizada por um especialista em exercício físico, que vai assegurar uma melhor e mais segura prescrição do treino, de acordo com as características individuais de cada um. Para complementar a avaliação inicial e a que é realizada ao longo da evolução do individuo, o sistema de treino Low Pressure Fitness apresenta vários testes iniciais, tais como:

- a competência e o tónus muscular da parede abdominal, ou seja como responde a parede ântero-lateral do abdómen a um aumento de pressão (por exemplo, a tosse) e qual o grau de tensão que apresenta em repouso. Uma parede abdominal tonificada apresenta um certo grau de tensão em repouso que lhe permite gerir eficazmente os aumentos de pressão intra-abdominal, tais como, a tosse, espirros, levantar pesos, treino etc 

Quando o indivíduo apresenta uma desprogramação da parede ântero-lateral do abdómen para a sua função de suporte aumenta o risco de lesão, nomeadamente o risco de hérnia abdominal que corresponde a uma zona de fraqueza da parede abdominal onde parte do intestino ou de outro órgão da cavidade abdominal fazem saliência para o exterior, sendo as mais comuns a hérnia umbilical, mais frequente no género feminino e a hérnia inguinal, mais comum no género masculino. Quando ocorre um aumento de pressão intra-abdominal e se a parede abdominal apresentar um tónus muscular baixo existe maior risco de lesão, por isso é essencial avaliar e prescrever o treino adequado para evitar esta situação. O sistema de treino Low Pressure Fitness assegura uma eficaz tonificação muscular da parede ântero-lateral através de uma visão mais global, ou seja, através de um trabalho postural e respiratório sem aumento de pressão.

- o tónus muscular do diafragma torácico. Uma postura desadequada conduz a um enfraquecimento da musculatura da região posterior do tronco com funções predominantemente estáticas que vão aumentar a tensão sobre o diafragma torácico, o principal músculo responsável pela inspiração, e consequentemente sobre a parede ântero-lateral do abdómen e parede inferior (músculos do pavimento pélvico). Desta forma, é essencial realizar um trabalho de libertação miofascial do diafragma torácico em conjunto com outras técnicas de reeducação respiratória e postural que asseguram uma normalização do tónus muscular;

- o teste da distância inter-retos para verificar a existência de diástase abdominal (aumento da distância horizontal entre os bordos internos dos músculos retos do abdómen), sendo de especial interesse avaliar a mulher na fase de pós-parto, uma vez que pode comprometer as funções da parede abdominal, tais como a estabilização da coluna vertebral, tórax e pélvis, a mobilidade (extensão, flexão, flexão lateral e rotação), a regulação da pressão intra-abdominal e a expiração forçada.


Para a avaliação da parede inferior do abdómen, ou seja, os músculos do pavimento pélvico trabalhamos em conjunto com fisioterapeutas especializados em uroginecologia que asseguram uma avaliação rigorosa e tratamento, se necessário, das disfunções ao nível do pavimento pélvico, tais como a disfunção urinária, o prolapso visceral, a disfunção sexual, a dor pélvica e a disfunção anorectal. O sistema de treino Low Pressure Fitness atua na prevenção e como um meio complementar ao tratamento para restabelecer a função da musculatura (suportar os órgãos pélvicos, manter a continência urinária e fecal, garantir a estabilidade da região lombo pélvica, fechar a pélvis óssea, micção, defecação, parto e relações sexuais) e garantir no caso do treino, uma redução do risco de lesão e uma melhor qualidade de vida.

Um sistema inovador de inteligência postural que engloba diversas áreas, tais como a libertação miofascial, os exercícios neuro dinâmicos, a reeducação respiratória e postural e a técnica hipopressiva, com a metodologia didática mais avançada em ciências do exercício físico é o conceito atual desenvolvido pelo sistema de treino Low Pressure Fitness, sendo que a técnica hipopressiva é considerada a base, e consiste na conjugação da técnica postural com quatro indicações que devem ser mantidas ao longo da sessão - alongamento axial da coluna vertebral, alongamento cervical, ativação da cintura escapular e inclinação do eixo de gravidade - com a técnica respiratória, respirações torácico-diafragmáticas seguidas de fases de abertura costal em apneia expiratória. Com o treino regular de Low Pressure Fitness conseguimos melhorar a tonicidade muscular da musculatura do tronco com ação estática devido à regulação do tónus postural geral. Considerada uma técnica holística consegue englobar diversos benefícios tais como:

- tonificar a musculatura da parede ântero-lateral do abdómen e como consequência irá reduzir o perímetro da cintura;
- gerir eficazmente os aumentos de pressão intra-abdominal;
- prevenir disfunções do pavimento pélvico, sendo eficaz como complemento, em caso de tratamento realizado por um fisioterapeuta especializado em uroginecologia;
- prevenir vários tipos de hérnias;
- melhorar a função respiratória;
- reeducar a postura;
- melhorar a mobilidade articular e a flexibilidade;
- reduzir as tensões musculares;
- melhorar a qualidade de vida

Dado o tipo de treino em que consiste, Low Pressure Fitness é adequado para todas as pessoas que pretendam alcançar os benefícios descritos. É um sistema que engloba várias áreas, e é facilmente adaptável a qualquer pessoa, sendo de destacar ser considerado uma das melhores formas de recuperação física na fase de pós-parto, incidindo sobre as estruturas que sofreram maiores alterações e que necessitam ser restabelecidas para realizarem eficazmente as suas funções de base para o movimento.

O Internacional Hypopressive and Physical Therapy Institute foi criado pela Dr.ª Tamara Rial, Piti Pinsach e Camilo Villanueva em Espanha com o objetivo de promover a investigação científica, o desenvolvimento, a inovação e a expansão internacional de Low Pressure Fitness, o seu programa de formação e que, atualmente está presente em vários países, tais como Portugal, Brasil, Canadá, Reino Unido, Austrália, Itália, México, U.S.A etc. 

Eunice Moura

Fitness Iatrogénico. Privilégio pela descoberta observacional


Parece bem claro para todos nós que exercício físico faz bem à saúde. Esperamos que uma ida ao ginásio, corrida pela marginal, ou até mesmo uns push ups e "abdominais" em casa melhorem a nossa condição física, queimem algumas calorias e até nos aliviem de alguma dor resultante de "más posturas". É algo factual, sendo que, pela observação mais atenta do contexto do exercício físico surjam questões ambíguas acerca da sua relação com a saúde, onde a dor é frequentemente mencionada como um bem necessário ao fim pretendido. "Mas o exercício não é pela saúde? Sendo pela saúde, não seria suposto livrar-nos da dor em vez de a trazer para articulações e músculos em que não sentia nada?" Num cenário ideal, a resposta seria "Sim". 

É neste sentido que surge no fitness um cenário onde existe uma constante perseguição pelo objetivo do cliente, muitas vezes desfasado das suas reais capacidades mecânicas, fisiológicas, emocionais, etc., e em momento algum, enquanto treinadores e agentes potenciadores da performance, podemos negligenciar a responsabilidade de atender às suas efetivas necessidades.

O distanciamento desta responsabilidade leva ao enquadramento do conceito de iatrogenia no Fitness. Por iatrogenia entende-se "lesão, processo patológico ou alteração orgânica que é provocado pelos médicos ou pelas suas atuações e tratamentos" (in Dicionário infopédia de Termos Médicos, 2016). 
No que diz respeito ao desempenho interno, não podemos esperar performances iguais em estruturas e orquestrações de contração muscular diferentes, ainda que seja comum a prescrição indiscriminada de um exercício, com exigências vincadamente direcionadas para o resultado quantificável, para o desempenho externo.

O processo formativo de cada profissional do exercício deverá ser uma constante, de forma a proporcionar novas valências e capacidades de observação e aferição mais pormenorizadas e desenvoltas, o que, não obstante, pode resultar numa tentativa muitas vezes frustrada de inferir sobre o que realmente se passa para além do que a vista alcança, por baixo da pele de cada executante. A complexidade da biologia humana, como a combinação de fatores neuro-musculo-articulares, é de tal forma vasta, senão infinita, que na realidade é humanamente impossível fazer uma leitura fiável, acabando por ser uma busca infrutífera pelo conhecimento instantâneo do que decorre no nosso sistema. Ainda assim, o conhecimento daquilo que é entendido como a norma (fisiologia articular, muscular e neural) pode conduzir a uma prática mais consciente e segura de qualquer profissão intimamente ligada ao exercício físico. Quanto maior a capacidade de aferição e a sua conjugação com o feedback do cliente, maior e mais precisa a proximidade ao que se desenrola. 

Ainda neste âmbito, não nos esqueçamos de uma questão de elevada relevância e que se torna pertinente incluir, não tivesse a tradição um peso esmagador no nosso seio e tão bem cimentada que qualquer tentativa de fuga à mesma pode ser considerada uma afronta. É à luz da mesma que o risco de um evento iatrogénico se eleva quase exponencialmente, na infinidade de diferenças estruturais intra e inter individuais. 

Já referenciámos necessidades e normas diferentes, que por si ao potencial, muito além da função “pré-definida” de cada estrutura, resultando numa orquestração observada e aferida no trabalho das alavancas articulares. Tendo em conta a importância dos fatores supracitados, e partindo do princípio que cabe a cada um de nós aprofundar o entendimento nesta problemática, vejamos de uma forma prática os seguintes exemplos de exercícios, esquecendo propositadamente o interesse fisiológico do objetivo de cada um:

1) Supino plano com barra.
O executante deverá deixar a barra descer até ao peito e empurrar novamente para que esta volte à sua posição inicial, afastando-a do tórax, até à extensão dos cotovelos. 
Segundo a norma, este será um movimento banal e, consequentemente, de fácil execução. Mas será mesmo acessível a todos? Será que, estruturalmente, todos conseguem uma abdução horizontal até que a barra toque no tórax, próximo dos 30º além da linha transversal dos ombros? Será que todos toleram um perfil de resistência invertido, ou seja, a aumentar à medida que a articulação do ombro caminha para uma posição de máxima congruência articular e menor capacidade contráctil? Foi avaliado o complexo articular em causa antes da aplicação de qualquer resistência externa? A escápula está naturalmente em protração ou retração? Os ombros são iguais, ou apresentam diferenças entre si? Até quando, no trajeto vertical da barra, poderá o treinador insistir para que vá “mais abaixo”? Até quando a tradição o mandar (“até ao peito”), ou até onde a avaliação prévia lhe diz que pode?

2) Agachamento com barra.
O executante deverá partir da posição de pé, com a barra “à nuca”, os pés paralelos e à largura dos ombros e fletir a anca e os joelhos até aos 90º, ficando com as coxas paralelas ao chão e regressa à posição inicial. 
A par do primeiro exemplo, normativamente, será um exercício também acessível a todos os seus praticantes, pressupondo que toda a gente se senta e levanta o agachamento deverá ser ainda melhor, pois é executado de forma muito mais controlada que o sentar numa cadeira ou sofá. Mas, mais uma vez se colocam interrogações dirigidas à permissão que as estruturas em causa dão para tal movimento. A coluna vertebral permite carga axial altamente desafiante para os músculos extensores da mesma? A articulação do ombro permite que o membro superior consiga segurar a barra próximo da posição de máxima congruência articular, já mencionada anteriormente? O sistema neuro-músculo-articular suporta um perfil de resistência também desajustado, que aumente à medida que nos dirigimos para maior flexão da anca e joelhos, inverso à sua capacidade contrátil? Os pés paralelos e à largura dos ombros permitem que exista uma boa relação entre flexão da anca e flexão do joelho? A orientação do acetábulo, ângulo de inclinação do colo do fémur e ângulo de torção do fémur proporcionam que os pés acabem por rodar interna ou externamente? A articulação tíbio-társica tem dorsi-flexão suficiente para permitir a chegada aos 90º sem levantar os calcanhares? Os joelhos vêm para dentro porque tem os adutores fortes? Vou corrigir sempre que verifico que está um pé para fora enquanto o outro se mantém na sua posição inicial?
De acordo com o grau de detalhe com que observamos cada estrutura no seu devido contexto, muitas mais questões poderiam surgir quer para cada um destes exemplos, quer para outros exemplos de exercícios, senão para todos, do mais simples ao mais complexo.
No entanto, a maior interrogação prende-se com o nível de proximidade que queremos ter da iatrogenia. Certamente que será tão grande a nossa afinidade com este fenómeno, quanto maior a nossa ignorância e défice de humildade para com um sistema biológico que está desenvolvido muito além da nossa capacidade de entendimento. 

SAMUEL CORREDOURA
- Licenciado em Desporto e Educação Física, FCDEF-UP;
- Certificado Pro, EXS;
- Formador Orthopaedics EXS;
- Treinador Personalizado, Virgin Active Oeiras.

Crossfit! O quê? Porquê? Para quem?

É atualmente uma modalidade com grande mediatismo pelo sucesso que teve junto do público que ansiava por um programa completo, intenso e com resultados concretos. O envolvimento nesta prática inclui a entrada numa comunidade global de partilha de experiências e hábitos de vida saudáveis. A nossa equipa de treinadores tem acompanhado um grande grupo de pessoas na box afiliada Mega Craque CrossFit no Mega Craque Clube e temos comprovado a evolução da condição física de todos sem exceção.

O CrossFit é para todos?
Sem dúvida! A missão desta modalidade é promover saúde e desenvolver longevidade motora funcional. Para este efeito são focadas quatro vertentes, que são a educação nutricional, atividades de endurance, movimentos de ginástica e de halterofilismo. 
O objetivo desta seleção é o praticante aumentar a sua capacidade de realizar trabalho motor em diferentes períodos de duração de esforço e em variados domínios que se entrecruzam. 
Uma pessoa saudável será capaz de contrariar ou retardar o decréscimo de capacidade de desenvolver trabalho físico ao longo da vida e no CrossFit todos os resultados são observáveis, repetíveis e mensuráveis, já que todas as variáveis de treino podem ser contabilizadas, permitindo ao praticante aferir da sua preparação física geral, que, em última análise, quantifica o seu fitness e a sua saúde.
A adaptação dos diversos públicos à modalidade é feita através da adaptação e escalonamento dos movimentos, do volume de repetições ou cargas utilizadas. Assim, todos os praticantes fazem a mesma aula programada, com respetivas adaptações. A intensidade é máxima porque os desafios são frequentemente cronometrados, e o desejo de superação e as grandes performances são fomentados pelo espírito competitivo entre praticantes.
Esta modalidade é uma excelente opção para qualquer pessoa, já que as necessidades de um atleta olímpico e um indivíduo comum diferem em grau mas não em tipo. Ambos beneficiam de aumentos na força, potência, resistência cardiovascular e respiratória, flexibilidade, resistência muscular, agilidade, equilíbrio e coordenação. A adaptação na intensidade e no volume através dos mesmos métodos otimizam a resposta tanto para atletas como para idosos, o que faz do CrossFit uma escolha excelente para quem pretende um programa de condição física completo que o/a prepara para qualquer atividade do dia-a-dia em situações desconhecidas e imprevisíveis.

Ginástica
“É necessária força para manter uma boa técnica e uma boa técnica é fundamental para um bom controlo motor/corporal”. Esta frase é muito utilizada e poderia definir o que é pretendido nesta área do movimento, integrada neste programa de condição física. A ginástica é uma das três modalidades-base do Crossfit. Esta modalidade ajuda no desenvolvimento de muitas das 10 componentes do fitness já mencionadas atrás, e fundamentalmente as 4 que são consideradas componentes neurológicas (coordenação, agilidade, equilíbrio e precisão. No Crossfit é considerado um movimento/elemento gímnico ou de ginástica, qualquer movimento onde a única carga movimentada é o próprio peso corporal (ex: agachamentos, flexões, elevações). Desta forma, os movimentos de ginástica integrados no Crossfit utilizam também algum material como barras paralelas, argolas suspensas, barras fixas, cordas, etc. Os exercícios de ginástica proporcionam um grande desenvolvimento da força sem qualquer carga externa.

Halterofilismo 
Esta disciplina é olímpica e é um dos três ramos de movimentos que compõem a modalidade de Crossfit. Existem dois tipos de levantamentos, o Snatch e Clean and Jerk. Para os dominar, os praticantes passam por progressões técnicas que os conduzem a um estado de força e potência muscular inigualável por nenhuma outra modalidade.
A prática destes movimentos ensina a aplicação de força em sequências funcionais apropriadas (do centro para as extremidades) para além das evidências que vários estudos demonstraram de aumentos únicos na massa muscular, coordenação, elevação vertical, resistência muscular e óssea, capacidade física de resistir a stress e capacidade cardiovascular.

KIDS e Teens (crianças e jovens)
Começar por referir que, quando falamos neste programa de condição física, falamos de uma faixa etária entre os 3/4 anos e os 17 anos de idade, com turmas formadas, geralmente em intervalos dos 3/4 aos 5 anos, 6-12 e 13-17. Fundamentalmente, o Crossfit kids combina movimentos de ginástica, calisténicos (peso corporal) e elementos de halterofilismo de forma a desenvolver as qualidades físicas gerais referidas no início deste artigo, com especial foco em elementos que permitam e potenciem o desenvolvimento do sistema vestibular (orientação espacial) e a densidade óssea. Nestas idades, em que se atinge o pico do desenvolvimento motor, pretende-se expor as crianças a um estímulo suficientemente eficiente que permita maximizar as suas qualidades físicas. Estes elementos são também combinados de forma a manter as crianças e jovens motivadas e felizes, ao mesmo tempo que aprendem mecânicas de movimento corretas e criam uma base atlética variada. É imperativo a condição física estar sempre ligada à diversão de forma a criar hábitos saudáveis de forma duradoura. 

A importância das progressões
A adaptação, correção e escolha das progressões adequadas para cada atleta está totalmente dependente do treinador e das suas capacidades e conhecimentos nessa área assim como o conhecimento pessoal das capacidades de cada atleta. Por vezes, pode mesmo até ser necessário a mudança da totalidade do treino previsto para aquele dia mediante as condicionantes apresentadas pela pessoa. As progressões são utilizadas quer nas adaptações nos WOD, quer para o desenvolvimento de técnicas e movimentos específicos onde haja maior dificuldade. A ideia que apenas alguém novo, descondicionado ou inexperiente tem esta necessidade é errada. Em determinadas alturas e dependendo de diversos fatores como lesões, fadiga e má mecânica de movimento, alguém com alguma ou mesmo bastante experiência e condição física, pode necessitar desta intervenção por parte do treinador. É uma, se não mesmo a componente mais fundamental de um treinador de Crossfit. Assim, a procura de locais, com profissionais competentes e com estas competências é fundamental para se tirar o maior proveito deste programa de treino de forma segura e intensa.

Wods e supervisão 
Wod - workout of the day, indica a improbabilidade do praticante voltar a repetir o treino. Este é o momento que os atletas mais desejam. Planear as suas cargas e a adaptação dos movimentos à sua capacidade é função do treinador nos momentos prévios, para que possam tirar o maior proveito e aplicar mais capacidade de trabalho, com o cronómetro a marcar as performances individuais ou em desafios de equipa. 
É neste momento que o estímulo de treino programado deve atingir todos da mesma forma, igualando o jovem de 20 anos que compete diretamente com o atleta recém-chegado de 60.
A intensidade atingida pelo ambiente competitivo e o espírito de suporte e entreajuda do grupo dão a motivação certa para que o grupo de pessoas atravesse juntas o desafio e frequentemente se superem em relação às expectativas iniciais. À semelhança de uma matilha de lobos, ninguém fica para trás e o mais aplaudido e agraciado pelo grupo é o que estiver a passar as maiores dificuldades. São momentos emocionantes que se vivem diariamente.
O treinador é o mediador deste empenho e emoção, mantendo o olhar atento para as técnicas e a verificação da sua consistência ao longo do wod para que a intensidade seja correta e segura para cada um, fazendo ajustes, observando e corrigindo erros, se necessário, e melhorando a performance dos atletas (coaching). 

Tiago Fernandes 
Licenciado em Ciências do Desporto
Instrutor de Crossfit

Licenciado em Ciências do Desporto, minor em Exercício e Saúde e major em Educação Física pela Faculdade de Motricidade Humana (FMH); 
Crossfit CF-L2 (Agosto 2016); Crossfit CF-L1 (Outubro 2014); Crossfit Kids (Agosto 2015); Crossfit Weightlifting (Janeiro 2016); Crossfit Gymnastics (Setembro 2016);  
Prática contínua de CrossFit desde 2013; 
Treino funcional avançado (FMH 2013); 
Frequência na pós-graduação em Strenght and Conditioning ( FMH 2016/2017)

Gonçalo Guimarães 
Licenciado em Ciências do Desporto
Instrutor de Musculação e Cardiofitness

Licenciado em Ciências do Desporto, ramo de Educação Física e Desporto Escolar pela Faculdade de Motricidade Humana, especialista em Judo e Andebol, com prática contínua desde 2009; 
Pós-graduado em Treino de Alto Rendimento pela Faculdade de Motricidade Humana; Treinador de Judo de Grau II, graduado com cinto negro 2° Dan com prática contínua desde 2000; Treinador de CrossFit de nível 2 com prática contínua desde 2013; Treinador de Halterofilismo com prática contínua desde 2016; Comentador desportivo dos canais SportTV, na modalidade de Halterofilismo Olímpico, e Kombat Sport, na modalidade Judo;
Instrutor de Musculação e Cardiofitness, premiado como melhor instrutor pelo Centro de Estudos de Fitness.

 
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