sábado, 24 de diciembre de 2016

O exemplo de Carlos Sá (ultra trail). Como acreditar sem ver resultados?

Demasiadas vezes estamos condicionados pelas experiências do passado que nos limitam na construção de novos cenários…. no futuro!
Um dos méritos da utilização do nosso imaginário é abrirmos a possibilidade de criarmos realidades que ainda não existem.

Um dos méritos da utilização do nosso imaginário é abrirmos a possibilidade de criarmos realidades que ainda não existem, realidades que podemos ter alguma dificuldade em saber como "vamos materializar", como vamos concretizar. 
Demasiadas vezes somos condicionados, por algo que já referi num artigo anterior, em acreditar com base exclusivamente em resultados visíveis. Se partir do princípio que só acredito naquilo que vejo estou a deitar para trás das costas uma imensidão de coisas que ainda não vejo e que são suscetíveis de virem a acontecer. Esta premissa tem em si um aspeto muito importante! Se eu só acredito com base naquilo que "consigo ver" dificilmente terei um mindset que me permita ter ruturas e "revoluções" nos meus pensamentos, nos meus comportamentos e, consequentemente, nos meus resultados.

Esta introdução é inspirada numa das pessoas que mais visibilidade tem tido nos últimos anos, numa das atividades desportivas mais exigentes (ultra trail): Carlos Sá.
Para quem não sabe ou para quem não conhece a sua história vale a pena dedicar um pouco de tempo a conhecê-la. O Carlos Sá foi desde muito cedo um amante do desporto e, mais concretamente, do atletismo. Desde os 12 anos foi dando largas à sua paixão procurando seguir as pisadas do seu principal ídolo, Carlos Lopes. Tentando conciliar treinos, aulas e trabalho chegou até aos 19 anos sem conseguir concretizar o seu sonho de se tornar profissional do atletismo.

A partir dos 19 anos, teve aquilo que o próprio designou de idade da "parvalheira" que culminou com um Carlos Sá a fumar dois maços de tabaco por dia, a ter um peso bem acima do ideal e, mais importante de tudo, a ter um estilo de vida muito sedentário. Durante este período de aproximadamente 11 anos muitas das suas decisões (conscientes ou inconscientes) pareciam querer afastá-lo de algo que era especialmente importante para si: a corrida.
Até que aos 30 anos, "percebeu que subir 33 degraus da garagem para o hall de casa de uma vez era impossível. E era estúpido também. Regressou ao desporto porque tinha "memórias boas" do que era ser saudável."

Neste momento quero fazer um ponto prévio. Nesta altura, já o Carlos tinha passado uma fase importante da sua evolução enquanto potencial desportista profissional, tendo relegado uma carreira no atletismo "mais tradicional".

Já por volta de 2010, depois de enfrentar a situação de desemprego, ora na indústria têxtil ora na indústria da construção civil, "pôs-se a correr para se abstrair. Muito. Tudo o que podia e mais".
Nesta altura, o ultra trail estava a dar os primeiros passos. O número de participantes desta modalidade era muito baixo (cerca de 100 era a média por prova) e o número de provas era também muito reduzido.

Face a este cenário parecia pouco promissor alguém ambicionar viver de uma atividade que, para além de exigir muito tempo e muito esforço físico e mental, ainda não tinha dimensão suficiente para chamar a atenção de patrocinadores, apoios e comunicação social.
Todavia, parecia que o Carlos Sá tinha reencontrado a sua Paixão. De alguma forma tinha reencontrado dentro de si a crença num caminho, que na altura carecia de muitas certezas e abundava em muitas dúvidas. Como viver de uma atividade pela qual nutre tanta paixão e que não tem qualquer expressão em Portugal?

Lembremo-nos que por esta altura Carlos Sá pôs-se a correr "tudo o que podia e mais"... e os resultados internacionais começaram a aparecer!
No ano de 2012 e das sete provas em que participou, Carlos venceu cinco, tendo ainda conseguido dois quartos lugares na Marathon des Sables disputada em Marrocos, com 250 quilómetros, e no Ultra Trail do Monte Branco nos Alpes, com uma extensão de 103 quilómetros.
Em 2013 atinge o resultado que o catapultou para as primeiras páginas dos jornais. Participando pela primeira vez na mítica prova Badwater, a 16 de Julho de 2013, venceu a Ultramaratona de Badwater na Califórnia cumprindo os 217 quilómetros da prova em 24h38m.

Hoje, para além de ser um atleta de renome, desenvolveu um projeto empresarial em torno do trail e ultra trail. Organiza provas, dá palestras e muito mais. Ajudou a abrir caminho para muitos outros que se seguiram. Hoje as provas têm milhares de participantes e o calendário anual é preenchido com centenas de provas a nível nacional.

Todavia, convém lembrar que esta história teve início num caminho onde a crença teve que, de alguma forma, sobrepor-se ao que era visível. Por vezes, há caminhos que fazemos que nos levam para onde queremos … mesmo sem sabermos!!! Sendo que esses caminhos são feitos de uma forma apaixonada e indo de encontro ao que é mais importante para nós!
E é com base nisso que por vezes não temos de "pagar para ver", porque aquilo em que acreditamos vai criar novos horizontes e novas perspetivas. Vai provocar ruturas e quebrar crenças. Vai mostrar-nos um admirável Mundo Novo!

Demasiadas vezes somos condicionados pelo passado…. Talvez pela excessiva valorização da experiência passada! Sendo que os resultados do futuro vão depender do nosso mindset em relação à nossa capacidade de criar, agora, novas possibilidades em relação a novas realidades futuras!
Sendo a história de Carlos Sá um exemplo de vida, ela é também uma história de alguém que decidiu optar pelo exercício físico e fez de um estilo de vida saudável…. a sua forma de Viver!

Nuno Silva
(autor residente)
Managing Partner DBS
Certicado em Coaching e Master em PNL

 
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